LUIZ GERALDO MAZZA
Rombo de R$ 6,3 bi
Nem todos os cálculos sobre o rombo financeiro conferem: um estudo de Cid Cordeiro Silva, economista do Dieese, colocado à disposição do gabinete da vice-prefeita da capital, Mirian Gonçalves, o estima em R$ 6,3 bilhões sem contar ''possíveis despesas não empenhadas deixadas pelo primeiro mandato e outros artifícios orçamentários e contábeis''. As cinco medidas de corte de gastos, se acumularmos o percentual de redução de dispêndios nos quatro decretos chegar-se-ia a um valor de 124,25% de economia! Richa assumiu com uma despesa de custeio de R$ 4,015 bilhões (em valores atualizados R$ 5,105), esse gasto estaria hoje num patamar de R$ 3,159 bilhões caso as medias tivessem sido implementadas, no entanto, o custeio está em R$ 9,85 bi.
O levantamento que colocou o Paraná no segundo lugar em gastos do ranking brasileiro, superado apenas pelo Rio de Janeiro, confirma a situação, embora haja divergência em números. Entre as referências do estudo de Cid Cordeiro Silva está a série de acrobacias para fechar as três folhas de pagamento do funcionalismo de novembro-dezembro-décimo terceiro em 2013 (que se repetiria em 2014 como o próprio governo reconheceu) com antecipação de dividendos da Copel e Sanepar, ''venda'' de ICMS vencendo, acerto de ativos com estatais, acesso aos depósitos judiciais.
O fato é que o governo tinha dificuldades notórias quando da manobra do Caixa Único junto ao Judiciário e que acabou implicando em manipulação indevida de depósitos judiciais não disponíveis, conforme seguidas denúncias da OAB-PR. Isso não foi confessado, mas no momento a situação é tão grave que há escassas saídas para a crise que não seja algo ortodoxo aos nossos hábitos quase sempre expressos na prodigalidade.
Daí porque o esperado encontro de hoje do secretário Eduardo Sciarra, da Casa Civil, com os professores, ainda que diplomático dada a resistência sindical pela manutenção da greve, tem estreitas perspectivas, posto que melhoradas com a retirada do pacotaço e a suspensão definitiva do tratoraço que se juntavam à supressão do corte de quinquênios e processos de progressão mantidos.
Dois tons
Ficou demonstrado diante da conjuntura que o governo Beto Richa tem dois tons para seu relacionamento com o funcionalismo: o da aproximação com Sciarra, via política, e o da ameaça pelo titular fazendário, Mauro Ricardo. Deste front provavelmente é que vem o informe da dificuldade (concreta, não chutada como ameaça intimidativa) para acertar a folha de fevereiro, o que a essa altura, pelo fluxo de caixa, não é difícil prever com razoável senso de precisão.
Na conversa com professores - e com o pedido para a retomada das aulas, já que o pacote está retirado de pauta - a amenidade política, mal testada no evento anterior, mas pesando na atmosfera o tom apocalíptico da Fazenda.
Mais greves
Categorias inúmeras pretendem entrar na caudal da greve funcional, uma delas o pessoal do Detran que retomou a parede que estava suspensa. Essa é delicada porque uma das fontes de renda aumentada nos atos recentes está na fatura do IPVA e das multas. Arregimentados também o pessoal da saúde e mais ainda os guardas de presídios. Se ficar nitidamente demonstrado que a situação atual ameaça atrasar o pagamento dos servidores a greve pode servir como uma forma de descompressão, mas incapaz de solucionar a questão, o que a transformará num radicalismo inútil.
Folclore
Ficou demonstrado que Paulo Roberto Costa, mesmo depois de ter deixado a diretoria da Petrobras, ainda recebeu propina atrasada, como admitiu. Quando há fartura de grana é assim: o atrasado sai fácil, já no Paraná em crise, que é séria e concreta, com ameaça de não sair a folha deste mês, até o futuro está empenhado e greve não tem poderes demiúrgicos para fazer surgir a grana.





