Risco não afastado
A arregimentação do professorado obrigou o governo ao recuo dramático, o vitorioso comemora e o derrotado se perde em troca de acusações (quem teria recomendado a retirada do pacotaço: o presidente da Assembleia ou Beto Richa?) persiste uma ameaça irremovível a gritarias, mobilizações por mais bem feitas que sejam - o pagamento das folhas de fevereiro pode não sair.
Funcionário, de um modo geral, acha isso inadmissível por se tratar de algo ''sagrado'' e perde-se na memória do tempo a última vez em que isso se deu: no fim dos anos 50, século passado, governo Lupion. Esse é um alerta pedagógico para a situação fiscal, ignorada pelos magistrados que estão pedindo atrasados do auxílio-moradia, prova também de que os agentes públicos acham que a nossa cornucópia é inesgotável como a chama olímpica.
Insisto no seguinte: se o governo queria transmitir a gravidade da situação bloquearia o reajuste dele, dos secretários e negociaria, em nome da crise, por uma ajuda na causa tanto do Judiciário como do Ministério Público e do Tribunal de Contas. Ao não fazê-lo deixou margem para a suspeita de que estava blefando, mesmo ao referir-se à dificuldade de fechar a folha de janeiro que teve colaboração de caixa de outros poderes.
Produtiva a intervenção da OAB, mas faltou a Juliano Breda a noção de que um ato de resistência civil é uma última ratio e não é legal, o que deixou de falar em suas entrevistas num papel que cabe a todos nós, interessados no aprimoramento das práticas de democracia. Da mesma forma que não tem sentido a cobrança de alguns porque advoga (mais do que um direito, uma obrigação) na Lava Jato pela OAS não pega bem deixar passar a oportunidade para mostrar que a invasão ou ocupação, como querem ideólogos, não é legal e de legitimidade também extremamente discutível.

Bufoneria
Há momentos de bufoneria nos conflitos do Centro Cívico: um deles o de um manifestante barrigudo, muito mais do que o secretário de Segurança, Fernando Francischini, e que o contém, do qual se desvencilha espalhafatosamente em desabalada carreira. Também inaceitável o papel dos deputados que viajaram de camburão para liquidar a parada. Ridícula, ainda, a pretensiosa postura de guerrilheiros de alguns sindicalistas, um deles inclusive com uma camisa que glorificava a Coreia do Norte, o maior de todos os atrasos.

Multas
Um dos maiores ridículos da justiça são as tais multas para invasores, como se deu agora na batalha do pacotaço: havia três sindicatos identificados e com o ônus de sanções de R$ 10 mil por hora por não cumprirem a ordem formal de deixar o prédio. Como sempre a multa não será exigida e com o que outras cenas iguais se repetirão como se deu aqui em inúmeras greves. Entre os delitos dos sindicalistas há o de cárcere privado a que submeteram os servidores legislativos. Lembre-se que foi a multa pesadíssima contra petroleiros que impediu, pela greve e ocupação das refinarias, a destruição do plano real de Fernando Henrique Cardoso.

Crise
O atual secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, teria sugerido que se contratasse empresa nacional especializada em gerenciamento de crise para a conjuntura momentaneamente hostil.

Folclore
Jaime Lerner tem dito em palestras e reuniões que não há qualquer sentido, notadamente com a crise que alcança todo país, em tocar o metrô e propõe outro modal também eletrônico. Por força de suas pregações tivemos o VLT, Veículo Leve sobre Trilhos; um Super Bonde do Lubomir Ficinski e ainda o aéreo de Taniguchi que operaria na atual Linha Verde, ex-Eixo Metropolitano. O fato é que o sistema atual como está saiu dos trilhos no qual só esteve presente até os anos cinquenta com os bondes da Cia. Força e Luz.

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