PMs, de plantão, permaneceram no local do conflito sem refeição. Desumanidade infla, aqui e na praia, onde não há o pagamento das diárias aos bombeiros



Rompendo o empate
É hábito dos seringueiros - e isso apareceu num documentário do Globo Rural - quando se sentem ameaçados pela transformação de suas áreas em pastagens reagir à invasão declarando o ''empate''. Segue-se um ritual em tudo parecido a um auto popular, teatral, com as partes verbalizando suas razões: o invasor dizendo que o faz por acerto com o patrão e o invadido argumentando que aquele é o seu sentido de viver e assim por diante.
Houve - e sempre há - algo de assemelhado com os conflitos entre o governo e seus professores no palco legislativo. Dir-se-á que o ato de invasão (os autores contestam a expressão numa sutileza semântica dizendo tratar-se de uma ocupação, o que em nada refresca, apesar do seu significado ideológico) rompeu a trégua, mas ontem surgiu outra: policiais militares resistem ao despejo que é imposto pela decisão judicial e preferem manter o empate no diálogo.
Como o plenário não oferece condições, só faltou escolherem o banheiro, tal qual se deu no Hospital das Clínicas com os manifestantes impedindo que os membros do Conselho Universitário votassem o apoio ao convênio com a Ebservh, estatal de assistência hospitalar. Pretendiam nesse encontro nas instalações do restaurante deixar o projeto pronto para votação hoje antes de Momo pintar no pedaço e obrigar todo o mundo a saracotear na avenida.
É óbvio que o governo vence a parada até porque enquanto se discutia ontem a invasão ou ocupação, o Conselho Estadual de Águas aprovava mais um aumento, o quinto seguido, em 16,5%, das tarifas da Sanepar. O ônus ao situacionismo não é pequeno: os votos contrários ao tratoraço mostraram que a oposição, ganhou, ainda que momentaneamente, mais musculatura com inúmeras defecções da base aliada, normalmente tranquila.
Enfim, naquilo que poderia ser um jogo de peteca houve o tacape, primeiro o do governo com o pacotaço, depois o dos manifestantes com a invasão. Espera-se que nos próximos dias haja mais peteca que tacape.

Demora
O tempo aparenta favorecer a oposição, mas o quórum legislativo está sempre garantido ao governo. Embora a pressa seja dele, a demora não o prejudica, desde é claro que tudo se resolva antes do carnaval.

Evangélico
De novo greve no Hospital Evangélico, garantidos porém os serviços de pronto-socorro e urgências em geral. A grita é justa: não receberam o 13º.

Sacrifício
No meio do impasse no Legislativo, uma revelação terrível: PMs, de plantão, permaneceram no local do conflito sem refeição. Desumanidade infla, aqui e na praia, onde não há o pagamento das diárias aos bombeiros.

Confusão
O volante distribuído pela Comec para orientar os usuários das linhas metropolitanas é muito confuso e dá um sinal de que haverá muitos mais problemas do que os até aqui imaginados. Agora, que ela começa a reforçar seus quadros com antigos servidores do Ippuc e da Urbs é possível alguma obra.

Prensa
O deputado Adelino Ribeiro, do PSL, afirmou ter sofrido uma prensa da pasta de Saúde ao reivindicar uma ambulância para que votasse a favor do pacotaço. Virão agora muitas histórias, umas reais e outras imaginárias, do gênero.

Folclore
Para derrubar a lei que impedia a venda da Copel, o governo Lerner recorreu a tudo inclusive reconvocar Nelson Justus para a cadeira de deputado. A lei, de iniciativa popular, não passou, houve festas e extremo desgaste. Tudo terminou com justiça poética: o ataque às torres gêmeas e o apagão acabaram com qualquer interesse em torno da licitação da estatal e não apareceu ninguém no leilão cercado de tanta expectativa. Se tivessem vendido, tudo ficaria na mesma com o Paraná quebrado.

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