"Depois de uma corrupção sempre vem outra, bem mais assustadora, para nos conduzir ao ceticismo como se deu nos dois episódios referidos"




Ilusão de sempre
Antes o herói era o ministro Joaquim Barbosa, agora é o juiz Sérgio Moro. E com isso abre-se mais um ciclo de que o País vai ser passado a limpo, enfim renovado em função dos fatos incomuns como a trajetória do mensalão e agora com a Operação Lava Jato. Como a corrupção está assentada organicamente no Brasil, os nervosos advogados das empreiteiras afirmaram que Joaquim Barbosa perto de Sérgio Moro é madre Teresa de Calcutá. Por aí se percebe que até o senso de humor, corroído e doentio, está afetado para traduzir, em suposta sutileza, um exagerado poderio do magistrado que preside a causa, tentando-se transformar um Catão em Calígula.
Depois de uma corrupção sempre vem outra, bem mais assustadora, para nos conduzir ao ceticismo como se deu nos dois episódios referidos. Tucanos festejam os dramas do PT, logo eles que inventaram o mensalão, via Marcos Valério, esquecendo que a qualquer hora vem a cobrança dos chunchos com trens e metrô paulistas, atingindo veneráveis figuras como a de Mário Covas e agora mais recentemente a de José Serra. Por sinal que as linhas cruzaram e esse gênio, revelado pelo Paraná na CC5-Banestado, o Youssef, aparece também nessas operações.
Para cada momento bom da vida brasileira - a derrubada de Collor, a queda do imposto sobre o cheque, a saga dos anões do orçamento, o mensalão e agora a Lava Jato - temos a persistência da mediocridade, da falta de perspectiva, ausência de quadros. Quando lembro, por exemplo, que o jovem Wilson Martins, antão com 18 anos (e que seria um dos maiores críticos de literatura) era um dos assessores de Manoel Ribas, lá pelos anos trinta do século passado, me pergunto se há alguém desse porte para o futuro ou o presente com essa expressão nos estafes daqui e de fora.
Só como trocadilho se pode confundir quadros humanos com quadrúmanos.

Tipificação penal
Já temos configurado e constantemente acionado o crime de formação de quadrilha. As práticas de nepotismo quase criaram um novo delito - o da formação de família para consagrar tradições oligárquicas aqui tão visíveis. Pois agora há uma nova tipificação penal: a da formação de governo.

Plano Diretor
Várias entidades participam do debate em torno do Plano Diretor da capital e uma delas, a Terra de Direitos, sugere a ocupação de espaços livres (terrenos baldios ou obras abandonadas) para praças e jardins. Curioso é que pintou a pretensão de adensamento urbano em áreas de proteção ambiental: dá agora para imaginar os corsários imobiliários atacando represas como as dos mananciais da serra dentre elas a barragem do Iraí.
Aliás, há uma ambivalência declarada de certos ambientalistas como a de poupar a Sanepar pelo fato de até pouco tempo a caca dos Três Poderes caírem direto no Rio Belém lá no Centro Cívico. É que há ambientalistas clientes da empresa como os há da Copel e, daí, a preservação de sua marca e não do ambiente.

Marmota
Início da semana, a celebração da marmota nos steites, e aqui nada mais nada menos do que um caminhão entalado na Ponte Preta.

Confusão
Direitos do consumidor burlados na cobrança do cartão do transporte: mesmo para os que têm direito ao valor de R$ 2,85 prevalecia R$ 3,30. É muita incompetência acumulada numa questão sabidamente delicada.

Folclore
Locutores da CBN nacional não acertavam o nome do repórter Fabio Buckman, da capital, chamando-o de Backman, Beckman e quase de Batman. Uma locutora do Canal 12 dos tempos heroicos referiu-se à colonia menonita Witmarsum como Uait Mérsum no município de Palmeira.

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