Petrobras municipal
Quem criou o gerenciamento do transporte coletivo por empresa pública, no caso a Urbs, foi Roberto Requião, ainda que cultuando a ilusão de que poderíamos ter uma frota pública, o que de fato fez, mas limitando-a a 80 unidades diante das milhares dos particulares. Era, no entanto, um esforço de monitoramento de custos e, é claro, com o timbre do estatismo.
Nunca se fez uma análise profunda do sistema e isso pelas razões pactuais que estão em sua origem. A Urbs é uma gerenciadora que cresceu demais, quase uma Petrobras municipal e pelo comprometimento de origem entre empresas e até mesmo sindicato obreiro ficou amarrada a absurdos como a inclusão do imposto de renda dos empresários na tarifa ou ainda os 3% das folhas em favor do Sindimoc em nome de um fundo social.
Já se disse, e com razão, que não há competição num sistema que as favorece (e isso não extensivo a todas) por fatores locacionais como garagens, centrais de compras e oficinas. Os mais fortes levam as vantagens da compra em escala de insumos, peças, acessórios e os mais fracos tendem com o tempo a quebrar ou a serem absorvidos como tem acontecido.
Isso as torna vitalícias e permanentes, enquanto o poder público é um ente transitório na sucessão de seus componentes. Foi o pacto, há muito firmado, que se sobrepõe a qualquer investigação, mesmo quando evidente a força de o cartel (sempre o designei assim) até de eleger presidente da Câmara Municipal como se deu com Iris Simões por duas vezes, irmão do então gestor sindical João Simões, homem dotado de forte representação política.
Como empresa, a Urbs é uma beneficiária da exploração do sistema com a taxa de gerenciamento de 4% à qual se junta os 2% em ISS cobrados das operadoras pelo município. A anatomia do sistema é misteriosa e percebe-se que o prefeito atual não tem interesse e coragem política para devassá-la.

Limbo
Até agora não foram aprovados pelo Ministério da Justiça os nomes dos novos dirigentes do Depen, hoje subordinado à Segurança. Com isso, a administração fica no limbo como se deu recentemente com a Petrobras e só ontem alterada com a renúncia da presidente e diretores. O sistema está sufocado: quase 30 mil presos, dos quais 43% provisórios. O que dá um alento é o esforço da Vara de Execuções Criminais com o mutirão do bem e que infelizmente não conta com os quadros da Defensoria. Situação persiste anômala com apenas 15% em aulas e 10% no trabalho, um dos menores índices do Brasil, quadro que tende a piorar.

Prefeituras
Quarenta e um municípios, entre eles Curitiba, não entregaram balanços de 2013 ao Tribunal de Contas. O mais privilegiado em condição técnica, o da capital, alega que o seu sofisticado sistema de computação não se entende com o do TC, um é da pedra polida e outro da lascada.

Dissídio
O sindicato dos motoristas e cobradores protocolou a instalação na Justiça do Trabalho do dissídio coletivo da categoria. Diante das fissuras entre Estado e a prefeitura e alterada a relação anterior urge uma nova cultura. Aquela manifestação diante do Palácio Iguaçu, apontando-o como o culpado da crise, é hoje olhada como um erro político ao isentar aquela que detém maior cota de responsabilidade no sistema, a Urbs.

Mais doutrina
O pacote do governo, ontem apresentado, é mais de matéria doutrinal já que a população, eriçada, esperava mais pancadas. É uma refundação do Estado numa perspectiva fiscal, criando aparatos como o Cadim estadual, fixando normas para recuperação de créditos na dívida ativa, entre outros itens.

Folclore
Na Praça Santos Andrade uma campanha contra desaparecidos da RPC que comoveu muita gente. Mas um gaiato estudante fez a interpelação sobre professores que sumiram das salas de aula.

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