"É olhando essas realidades que se torna indispensável aprofundar o esforço de austeridade em todas as esferas, fazer disso a ideia-força do governo pelo menos enquanto a conjuntura for negativa e opressiva"



'Tudo se repete tomando cerveja preta!'
Quem esperava mudanças fundamentais com Fruet em Curitiba viu, com o aumento das tarifas de ônibus para R$ 3,15 no cartão e R$ 3,30 a dinheiro, que persiste a relação pactual, orgânica, existente há mais de meio século. Esperava-se do novo prefeito reações estruturais que iriam ao fundo das coisas, tanto aí quanto na questão do Instituto Curitiba de Informática e na gestão do lixo. Nos três fronts está sem moral para negociar porque é um devedor contumaz e isso o coloca, de saída, nas cordas ou em clinch. Negociador em dívida é algo como a Grécia dando um contragolpe na União Europeia e ameaçá-la.
Jamais haverá licitação limpa em Curitiba enquanto fatores locacionais como garagens, oficinas e centrais de compras as favorecerem. Daí, o enraizamento de um sistema vitalício que afronta o conceito mínimo de competição. Ter tais vantagens como um direito de conquista congela, hiberna, como o medieval ''Uti possidetis, uta possideatis''. Como possuís, continuai possuindo.
Depois da decisão sobre tarifas, a vigorar na sexta-feira, esperava-se ontem o pronunciamento do Estado, via Comec, sobre o subsídio e aí os agentes vestem roupa de briga para o papel de malandro de parque. Na Comec, houve reforço de quadros com a convocação de técnicos que atuaram nos 20 anos de integração. Melhora o QI, mas não a rouquidão da voz porque o governo estadual está de tal forma minado pelas carências que não tem o direito de fazer concessões. Ao menos os dois lados ficaram, como convém aos políticos, falando em apoio à integração metropolitana.

Contestação
Tanto o Procon como o Ministério Público da área do consumidor discordam da diferença da tarifa entre a do cartão e em dinheiro. Prometem avaliar todos os ângulos da questão e agir em seguida.
Curioso é que nenhum deles se mexeu quando os micro-ônibus só trafegaram com cartão.

Previdência
O governo estadual continuará, diante da conjuntura, a não fazer o repasse de parte equivalente à dos previdenciários para recuperar a ParanáPrevidência na parte relativa à sua capitalização golpeada desde a primeira gestão de Requião e que já tinha sedimentos da administração Lerner.
O fundo de pensão, um dos maiores do país, que anda com um furo próximo de R$ 7 bilhões, terá a partir de março a contribuição em 11% dos aposentados o que nada alterará a rota para a quebra. Enfim, nada refrescará.
É olhando essas realidades que se torna indispensável aprofundar o esforço de austeridade em todas as esferas, fazer disso a ideia-força do governo pelo menos enquanto a conjuntura for negativa e opressiva.

Suspensão
Em lugar de suspense, tivemos a suspensão da greve do pessoal de saúde, que se revelou anêmica desde o início e antes das três da tarde de ontem já havia desmontado o acampamento diante da prefeitura. Fruet recuou um pouco nas imposições do decreto 385, reduziu as parcelas de atrasados de 4 para 2 e acerta tudo em março. Se com menos de 4% de adesão, entendeu-se está bem destreinado para a queda de braços com motoristas e cobradores.

Folclore
Pior desonra dos anos 50 era sair da roda boêmia e ir para casa, pois o apelido vinha fulminante ''papagaio de corrente''. Num belo dia um estranho na roda ficou tão embevecido com a turma (Zé Ghignone, Osiris de Brito, Nireu Teixeira, Marcel Leite) que fez um discurso dizendo que aquilo era um divisor de águas na sua vida, antes e depois daquele encontro. E daí se desculpou que tinha que deixar a roda porque sua esposa falecera e não ficava bem ele não comparecer ao guardamento.
Uma lição terrível para a boemia autossuficiente. Quem salvou o time foi o ilustrador Marcel Leite que observou: ''Ele, pelo menos, bem que poderia ter tomado cerveja preta!''

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