LUIZ GERALDO MAZZA
O homem do chapéu
A morte de José Eduardo de Andrade Vieira, na passagem dos seus feitos, destaca a força da autenticidade do homem do interior, traduzida na fala típica e comum da gente que formou o Paraná, identificado num coral de patrícios, paulistas e mineiros, o nosso amálgama. Quando da campanha senatorial um dos projetos mais bem articulados na propaganda política, até mágicas foram produzidas com o chapéu transformado em semeador, mas a verbalização foi mantida em meio ao aparato da arte publicitária, o sinal da identidade.
E foi essa fala e essa voz, tradutoras de simplicidade, no exercício de tão múltiplas atividades, tanto no empreendimento privado como no público (senador e duas vezes ministro), que o definiram na síntese da singeleza cabocla, na busca da harmonia, mas por vezes sendo levado ao inconformismo quando da bancada senatorial do Paraná, apenas ele se levantara contra as restrições pleiteadas pelos seus colegas Osmar Dias e Roberto Requião sobre a vinda das montadoras ao Paraná. Observou-se ali um teatro tipicamente nosso: a maioria política fazendo o velho e manjado exercício da autofagia em aberta rebeldia a anseios de toda população.
Esse cenário, constante em nossa história, foi enfrentado sem estardalhaço mas com firmeza, aquela que pautou a continuidade da obra do seu pai, Avelino, na terceira rede bancária do País e num certo momento induzida, pela ação de setores do governo nacional, à perda dos seus espaços. E na área da mídia deixou a sua marca na continuidade da obra de João Milanez nesta FOLHA. Um paranaense, enfim, engajado na causa comum por nossa autossuperação.
A fase aguda
Começou ontem a fase aguda da Operação Lava Jato com testemunhos de acusação em torno do petrolão. Já se percebeu que a tática das empreiteiras é lançar como testemunhas de defesa agentes políticos e até ministros, o que levou o juiz Sérgio Moro a perquirir tal razão. Agentes públicos da Petrobras e ministérios vão ser ouvidos ao lado de deputados federais e senadores eventualmente envolvidos nas operações. É o momento mais da taquicardia do que da taquigrafia.
Plano b
Para a hipótese do rompimento da integração metropolitana dos ônibus, não há ainda o que se poderia chamar de Plano b. As duas partes - prefeitura e governo estadual - sabem o quanto serão politicamente prejudicadas pelo dissenso. Houve pequeno avanço: o governo propôs que cada lado pagasse 50% dos subsídios. Na verdade, todos os dois estão quebrados, daí o esforço de cada um em pagar o mínimo.
Há uma total acomodação em relação à estrutura da concessão: ninguém ousa algo como o prefeito paulista que sugere a encampação das garagens, fator que assegura a permanência do cartel, com tais vantagens locacionais que as torna vencedoras eternas das licitações, mesmo que não sejam viciosas como a mais recente. Esse fator (garagens, oficinas, centrais de compras) pelo seu alto valor imobiliário inibe qualquer concorrente de fora. Ao lado desse fator há ainda o das frotas como encará-las numa licitação limpa?
Retranca
O governador Beto Richa está na retranca. Ainda assim uma repórter de tevê conseguiu arrancar, de estalo, e meio puxando pelo braço, uma declaração sobre o subsídio nas tarifas dos coletivos. Não assenta bem ao seu espírito jovial e alegre a atmosfera da recessão e da falta notória de recursos. A boataria é tanta que sugeriram que o governo teria pedido ao Judiciário que pagasse com verbas do Funrejus o duodécimo orçamentário, o que é inimaginável.
Pediu a sua substituta e vice-governadora, Cida Borghetti, que o representasse na abertura do Legislativo na exposição do seu plano de governo.
Folclore
O petismo de origem, aquele da bandeira ética e da pressão sobre autoridades, parece ter renascido no meio sindical do funcionalismo estadual. Pelo jeito agora será sempre assim. Mesmo com maioria, o governo ficará isolado em seu bunker na Assembleia Legislativa, acuado pelas circunstâncias.





