"Transferir dor de cabeça é uma agradável forma de descompressão"



Sinais depressivos
São múltiplos e significativos os sinais de uma crise fiscal sem antecedentes históricos no Paraná: além de tudo o que já foi revelado - a não antecipação do adiantamento das férias, o atraso nas diárias do pessoal da Operação Praias, o não pagamento do 13º e do salário dos educadores especiais, a supressão das verbas rescisórias devidas a professores - temos agora, também do litoral, a notícia de que médicos do Hospital Regional de Paranaguá estariam com salários em atraso há três meses e razão pela qual adotaram o indicativo de greve.
Ameaças de greve, às vezes, dão resultado como a do pessoal da Cavo (a coletora do lixo da Capital) e do Instituto Curitiba de Informática que fizeram a grana como maná bíblico aparecer. É que aí o terceirizado, já descapitalizado por não receber suas faturas e obrigado a valer-se do banco para atender seus empregados, aconselhou-os a se mexerem. Mas greve de servidor público vão vai além do desgaste político do governador e secretários: carece desse poder demiúrgico de fazer a grana brotar. Várias categorias, à frente como sempre a dos professores, ensaiam manifestações e greves. O governo não tem como atendê-las e já está com a base parlamentar mobilizada para o berreiro do plenário de peemedebistas e do mais constante, Tadeu Veneri.
Tudo simétrico ao plano nacional em que pela vez primeira desde 1997 houve deficit de R$ 17,2 bilhões, mais ou menos o que o governo paranaense despende por ano com sua massa de servidores ativos e inativos. Mas ontem saiu a folha do mês direitinho, o que não é garantia de coisa alguma, ainda que aquiete de forma momentânea os espíritos angustiados dos barnabés.

O assessor
Há assessores (e parece que o caso desse fotógrafo de Londrina, denunciado por abusos sexuais, se enquadraria entre os que se imaginam com poder e tentam se mostrar íntimos do governador) que se acreditam uma extensão do chefe, como há exemplos - como o de Ezequias Moreira - em quem as pessoas enxergam alguém muito próximo da autoridade e o transformam em mediador. No primeiro caso não há como impedir exibicionismos como o de postar imagens no Facebook de aproximações com o governador e, no segundo, o ônus fica inteiramente contra o assessorado à conta de um gesto de sacrificada e sofrida lealdade.
A carreira política de Gleisi Hoffmann e, especialmente sua candidatura, foi quase amputada pela descoberta de que seu assessor principal, Gaievski, era um compulsivo pedófilo. É mais fácil ao público absorver um notório corrupto do que uma dessas patologias: quem na sociedade não teme que filhos e netos sejam alvo de abuso desses maníacos? Esse pânico é que movimenta o horror contra essas pessoas, haja vista para o que acontece na cúpula da Igreja romana.
Daí, o espanto provocado pelo fato mais recente respondido fulminantemente com a sua exoneração em Diário Oficial.

Frevo
Mais frevo e ''fervo'' diante da Secretaria de Cultura: um panelaço de artistas em protesto contra programas do setor. Com essa crise, que atrasa até pagamentos, dá para imaginar o que ainda estápor vir.

'Santagem'
Quem usa a chantagem por uma boa causa a chama de "santagem": é o que faz o prefeito Gustavo Fruet jogando o governo em clinch no caso das linhas de transporte metropolitano. Historicamente, quem induziu a integração foi a prefeitura que com Lerner teve que ir à Justiça para assegurá-la em conflito com o então governador Requião. Sabe da situação financeira do Estado e explora essa fragilidade. Entre o estadista e o Odorico Paraguaçu de Sucupira o caminho mais rentável foi usado.

Folclore
A designação de ministros e ex-ministros como testemunhas de defesa dos réus da Lava Jato põe o governo como aliado dos fraudadores para justificá-los. Transferir dor de cabeça é uma agradável forma de descompressão.

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