LUIZ GERALDO MAZZA
"Cerveró ficou calado, como prometiam seus advogados, para não falar sobre a compra de Pasadena atribuída ao Conselho da Petrobras. Trocou olhares significativos apenas com os advogados"
Rosca sem fim
Terminou uma etapa e até agora não houve tapa: a greve apenas acentuou o clima em que se processará o aumento da nova tarifa dos ônibus provavelmente já na próxima segunda-feira. Como governo estadual e prefeito se saíram mal até aqui nos episódios, Gustavo Fruet convocou ontem uma coletiva para expor o seu ponto de vista sobre os próximos passos, dentre os quais o do reajuste tarifário, e sair-se um pouco melhor na fotografia.
Com a entrada do Omar Akel na Comec, houve um certo equilíbrio no diálogo a despeito do tom enciclopédico do presidente da Urbs como se essa empresa não fosse, ao lado do cartel, uma das causas de tudo o que se detecta de ruim no modelo do transporte sempre apontado como exemplar em que pese muitas das suas inconsequências como aquela história de botar na tarifa o imposto de renda dos empresários e conceder de mão beijada 3% da folha em favor do Sindimoc num fundo de assistência social. Tudo prova de esquemão da pesada.
Conforme os técnicos, a tarifa estaria em perto de R$ 3,80 e para reduzi-la ao mínimo de R$ 3,10 seria indispensável desonerar dos custos os 2% de ISS do município e mais os 4% de taxa de gerenciamento da Urbs. Essas questões são tão complexas quanto acertar o consenso em torno da parcela cabível a cada um, Estado e prefeitura, no convênio em torno do subsídio.
Exige-se já - e isso agora quando o clima está aquecido - uma anatomia completa desse modelo em sinal de esgotamento. Não é possível que depois das auditagens tanto de órgãos municipais como do Tribunal de Contas, mais os relatos de organizações sociais e ainda apurações da CPI, inclua-se aí o pedido para que o Conselho de Administração Econômica (Cade), se manifeste se há ou não cartel no sistema, ainda haja espaço para caixa preta.
Em suma, o prefeito convocou a coletiva para tentar reduzir o peso de suas responsabilidades, jogando uma vez mais com a chantagem do corte da ligação metropolitana, pela dificuldade operacional de manter uma tarifa só para dois sistemas de custos diversos, embora afirmando que tudo fará para que ao fim e ao cabo se obtenha a cobrança da passagem única. Traduzindo, a mesma conversa do governo estadual, em mensagem escapista, que lutaria pela integração.
É a rosca sem fim de uma questão mal nascida e pior sustentada com os agentes dominados pelo estupor e a perplexidade e boa dose de má intenção.
Inadimplência
Desde 2010 advogados dativos, aqueles convocados para atendimentos sociais, não recebem seus haveres do governo. E qual o truque estabelecido: a Procuradoria Geral do Estado (PGE) alega que o assunto não é dela, mas da Defensoria que sofreu um corte de R$ 80 milhões em seu orçamento, derrubado no STF.
É evidente que com esse crise o governo não teria nem tem como subsidiar em R$ 7 milhões mensais a integração do transporte metropolitano.
Incrível que não se perceba a urgência da lipoaspiração secretarial, tanto aqui quanto no governo federal com tantos ministérios de fachada.
Calado
Cerveró ficou calado, como prometiam seus advogados, para não falar sobre a compra de Pasadena atribuída ao Conselho da Petrobras. Trocou olhares significativos apenas com os advogados.
Mobilização
A passeata nacional dos metalúrgicos teve repercussão, mas só ela é insuficiente para deter demissões ou programas de saída voluntária. Não há mais espaço para desonerações, corte de IPI e crédito farto, aquele tom de confiança na dinâmica do mercado interno e do consumo.
Folclore
O roto ri do remendado: governo estadual e prefeitura em suas dívidas e seu potencial represado.





