Eis a questão do subsídio para os ônibus: o governador acha muito, o prefeito acha pouco e o cartel acha graça




A prestações
No meio das conversações na Casa Civil houve uma proposta no sentido de que a Comec pagaria os R$ 16 milhões que deve a Urbs em sete prestações. Como o fato vazou, fica evidente a posição caricatural que o governo estadual e a prefeitura adotam para levar vantagem, como ensinava Gerson, de qualquer jeito em meio à crise desencadeada pela greve dos transportes.
Bastou a referência ao cabalístico número para que se lembrasse que são sete os pecados capitais (dentre mais de um deles está o dos digladiantes), sete as colinas de Roma, os anos das vacas magras na visão do faraó, a conta de mentiroso e a goleada da Alemanha sobre o Brasil de sete a um. É evidente que não se trata de uma mediação do supersecretário da Fazenda, encarregado do ajuste fiscal, mas certamente apropriada a um especialista das Casas Bahia, afinal ninguém entende tanto de parcelamento de pagamentos como ele.
O problema é que a parede reclama uma solução singela: o pagamento, pura e simples, da antecipação salarial acordada em contrato. Se não há grana para isso, certamente, não haverá para o pagamento do salário de janeiro como lembrou o juiz relator do processo no TRT. E o dinheiro não existe porque a Urbs-Comec não repassa o que deve aos empresários.
A Justiça, como os demais agentes do processo, se dá mal: tomou uma decisão pesada, a de impor redução da frota, e não consegue sustentá-la porque os trabalhadores, e não o sindicato que se mostra impotente, em ato claríssimo de desobediência civil, impede a saída dos ônibus das garagens. Quem dá o poder de sanção à Justiça é a polícia judiciária, e que só é convocada no caso pelo TRT, enquanto isso a população sofre por essa deserção institucional de todos os envolvidos. De todo esse cenário circense a população é o palhaço.

Prejuízos
A Associação Comercial do Paraná costuma argumentar na sua ideia fixa contra os feriados que a cidade perde um mínimo diário de R$ 150 milhões com o ócio e é bem possível que tenhamos, com todos os transtornos da greve (já com a população mais treinada para a emergência o que não diminui sua indignação e sofrimento) algo bem próximo desse número. Juridicamente cobrar de quem: as evasivas do governo e da prefeitura mais a dos grevistas e da Justiça.

Mais dois
Caixas eletrônicos estourados no Portão e em Piraquara. A permeabilidade do sistema é inaceitável. Alguns (e isso se deu no Hospital Nossa Senhora das Graças) removeram de suas instalações os
caixas.

Tarifa
Segundo rumores a tarifa técnica do ônibus chegou ontem a R$ 3,80. Mais vitamina no subsídio.

O mestre
Não apoiam a luta do cientista Flavio Zaneti (criador do pinhão de proveta) para a reconstituição das matas com araucárias e agora ele está em outra: abóboras gigantes, a moranga de 60 quilos.

Antavírus
Um caso de morte por hantavírus na zona rural de São José dos Pinhais está preocupando infectologistas. Causador é rato silvestre.

Paz
O bom senso pode ter liquidado a greve do transporte com a notícia de que os R$ 5 milhões da Comec referentes ao adiantamento caem na conta amanhã e os sindicalistas decidiram retornar aotrabalho, mas isso leva tempo. Teremos repeteco no dia 5 de fevereiro (salário de janeiro) e depois em março? Vivemos sob o signo do terror.

Folclore
Eis a questão do subsídio para os ônibus: o governador acha muito, o prefeito acha pouco e o cartel acha graça.

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