LUIZ GERALDO MAZZA
Pesquisa, a prioridade
Para não acumularem mais prejuízos, embora a iminência da greve, tanto a Urbs quanto a Comec, hoje em diálogo quase civilizado, subordinaram toda e qualquer ação suasória à solução do seu embate numérico em torno do quantum é o peso específico do transporte metropolitano. Como tudo tem o jeitinho de encenação, aparentando auto popular do Boi de Mamão, isso é lembrando discussão de malandro de parque, o sindicato dos trabalhadores também partiu para a mesma ''ética'' dando uma de João sem braço ao ignorar a ordem judicial para que mantivesse 50% da frota em operação.
Quem se danou foi o povo e todo o comércio (o número de faltas ao trabalho respondeu em parte pelos prejuízos acumulados) e também a indústria por causa da acrobacia do governo estadual e o municipal em quererem ganhar recursos na questão do subsídio metropolitano. A desobediência aberta do Sindimoc, alegando que não foi intimado, é resistência à decisão judicial e que deve ter outros sanções que não sejam essas multas que acabam dissipando no meio da conciliação e que o atinjam patrimonialmente. Foi com essa medida que FHC salvou o Plano Real com a insurgência dos petroleiros: as multas eram de tal porte que a Federação obreira se viu obrigada a recuar para não quebrar.
O único avanço nessa greve foi o decorrente da cautelar que o Judiciário acolheu e que obrigava sindicalistas a deixarem 50% da frota operando nos horários comuns e de 70% na hora do pico. Isso pode ser feito na próxima greve, aquela que virá com o reajuste sindical, mas com sanções pesadas em caso de desobediência como se deu ontem. A Justiça não esperou que os rituais aquecessem para agir e assim deve ser em qualquer atividade essencial como refinarias, hospitais, enfim a lista de áreas em que a minoria grevista, desrespeitosa, peita os interesses da maioria.
Nem toda a greve é ''progressista''. Aliás na queda de Salvador Alende, no Chile, um dos movimentos civis que a favoreceu foi o locaute dos postos de combustíveis e transportadores, a greve dos patrões.
Enquanto isso, se discute algo como o sexo dos anjos no debate em torno da tarifa metropolitana com a pesquisa origem-destino contestada pelos sertanejos universitários. Nem governo, nem prefeitura merecem absolvição do caso, ainda que ajam em nome da situação financeira de ambos, sabidamente caótica.
Outra pesquisa
Saiu uma pesquisa de ONG mexicana que coloca nossa capital como a 44ª de uma lista de cinquenta cidades mais violentas do mundo. Como na lista há apreciável relação de sul-americanos e pouco de africanos já se contestou a sua validade metodológica. Mas nesse caso também o governo paranaense não acata os números do Datasus, do Ministério da Saúde, que no fim do ano passado eram de 32 mortes violentas por cem mil habitantes e que a Segurança afirmava ser de apenas 25, o que aliás não é um número desprezível. O fato é que estamos no ranking e isso não é consolo.
Salvamento
Um jovem de 15 anos foi salvo pelo helicóptero da PM na praia. Esse se junta aos mais de 600 registros.
Alarme frio
Ontem houve alarme de bomba na Augustro Stresser Hugo Lange: restos de roupa velha e uma Bíblia no conteúdo do temido explosivo. Semiótica pura na soma de terror e religião, signo dos nossos dias.
Prevenção
Associação dos bares quer que a Ação Integrada de Fiscalização Urbana ( Aifu) seja mais preventiva que repressiva e pede o mesmo para a lei seca. Ora, quem gosta de moleza é bebum em ladeira.
Folclore
Quem é o maior culpado pela greve: o governador, o prefeito ou os dois ou ainda o sindicato que teve derrota básica na decisão judicial e que lhe retira força para a outra parede que virá após aumento salarial em fevereiro? Pelo jeito todos perderam, embora o desespero do povo submetido ao terror.





