Abaixo a timidez
Primeiro o mensalão e depois o petrolão sepultaram com todas as honras de praxe o velho clichê dos sociólogos de bolso que afirmam a nossa timidez com um dos arquétipos comportamentais que nos seguram e limitam. Tanto no primeiro quanto no segundo, que é uma extensão sua necessária e ampliada, gente nossa brilhou dos dois lados, a maioria na gangue, alguns lapidares como José Janene, pelo poder de articulação que tinha na base aliada e depois com Paulo Roberto Costa, isso sem falar no Youssef que já brilhara no maior escândalo exclusivo da terra na CC5 Banestado, na qual também havia a figura do bem na ação determinada e competente do juiz Sérgio Moro.
O juiz da causa se transformou numa espécie de herói nacional como foi o ministro Joaquim Barbosa, mas hoje os próprios advogados das empreiteiras chegam ao ponto de afirmar que o ex-presidente do STF, que comandou o mensalão, é uma espécie de Madre Teresa de Calcutá perto do maringaense Sérgio Moro. Na crítica a um suposto radicalismo do magistrado, na verdade uma expressão nítida da justiça possível no continente da corrupção, segura porque assentada em forte documentação probatória e vasto conhecimento do Direito, o que leva o pânico aos encarregados da defesa dos indiciados ao ponto de cogitarem quer da transferência dos procedimentos à Justiça estadual quer da retirada do juiz.
Seria bom também, pelos efeitos do exemplo, que derrubando outro clichê, o da autofagia todos os paranaenses se irmanassem nas ações da Lava Jato pelo fato de seus lances principais de julgamento se darem na terra.

Consumo
Não havia uma política ou estratégia específica na economia tanto sob Lula nas duas gestões e na primeira de Dilma: apostava-se na dinâmica do mercado interno, daí todo o empenho em facilitar com o máximo crédito e desoneração das folhas de pagamento, mais redução do IPI, o consumismo. Agora, se vê o rastro das consequências: primeiro o consumo, depois a falta de insumo, seja da água ou da energia como está acontecendo.

Choque inevitável
Até o fim da tarde de ontem não havia avanço nos entendimentos entre Urbs e Comec, a primeira apelando para a ignorância com a declaração do fim da integração e a segunda insistindo que sua contribuição para o subsídio das linhas metropolitanas deveria cair de R$ 7 milhões para R$ 2,4 milhões. Houve quem lembrasse de fatos históricos como aquele dos anos 50 em que Lupion decretou a passagem do sistema municipal para uma dependência do DER, o que é lógico caiu na Justiça. A rigor, porém, para o respeitável público a postura dos dois lembrava a de malandros de parque querendo ganhar com a crise mesmo com o povo exposto a mais um sacrifício. O sindicalismo estava determinado num apelo na internet ''ou grana ou greve''. Três blefes ao mesmo tempo é dose.

Orla
Num momento em que o governo não tem dinheiro para pagar diárias do pessoal da Operação Verão, a administração das praias (Pontal e Matinhos) volta a falar na necessidade de arranjos urbanísticos na orla. Pensar nisso só no ano que vem porque neste a economia será de guerra com corte a empréstimos e transferências da União ao estado e prefeituras, anunciado por Levy.

Folclore
Parece incrível, mas pelo menos 129 estudantes que tiraram zero em português no Enem passaram nos vestibulares da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Vai ver isso pode ter ocorrido em outras unidades do País. Não espanta!

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