LUIZ GERALDO MAZZA
Salvação na quebra
A cartolagem do futebol reagiu mal ao veto da presidente à alforria das dívidas dos clubes. Como estavam, em função do clima da Copa, certos de que o governo os apoiaria entraram no pânico-clássico do juízo final: se não forem privilegiados, quebra todo o sistema. Na realidade, o Brasil está igualmente em situação-limite, forçado a conviver com um ajuste fiscal opressivo e crê-se que está aí, justamente, o caminho da salvação.
Esse choque de realidade, que se dá também nos governos estadual e municipal, é a chance para a recuperação, como se viu no encontro secretarial de ontem no Palácio Iguaçu e no município na pressão de credores para recuperar faturas milionárias de R$ 200 milhões em apenas dois setores: o do ICI e da Cavo, o sistema integrado de computação e o lixo, duas áreas indispensáveis sujeitas a estrangulamento a qualquer momento.
No caso do futebol só há saídas traumáticas, no campo da decência, e ninguém ignora o poder de pressão da bancada da bola quase tão forte quanto à dos evangélicos e à do agronegócio. Há quem diga que a quebra declarada, e não mais contingenciada, dos clubes é a única salvação porque o país não aguenta mais as simulações dos bandalhos que sangram em bilhões à espera de um milagre,
Como entes públicos se acham livres da falência (e essa é a cultura que temos), mesmo depois das salvaguardas da Lei de Responsabilidade Fiscal, continuam sacando contra o futuro da forma a mais irresponsável com aquela mesma desenvoltura dos que apostam na impunidade e surfam na corrupção. Uma quebra dos entes públicos, como a dos times de futebol, teria equivalência comum ainda que surpreendesse por nossa secular acomodação.
Sinal
Ontem foi um dia de protesto em Curitiba, de bloqueio de uma linha de ônibus, dos mestres da educação especial arregimentados no Centro Cívico protestando contra atraso de salários, do professorado da Faculdade Evangélica, enfim mostra de vitalidade das pessoas e rejeição ao conformismo. As autoridades devem levar em conta desse estado de espírito nas medidas recessivas como a do veto de Dilma no ajuste do Imposto de Renda.
Montadoras
É nas montadoras, em função das dificuldades do mercado com o aumento na queda das vendas, que se perceberá o mais forte sinal de recessão e também de reação pelo grau de arregimentação dos metalúrgicos do setor. Das primeiras implantadas em Curitiba, a New Holland de máquinas agrícolas, se viu obrigada a demitir 270 dos seus trabalhadores em função da demanda retraída, mas afasta novos cortes pelo menos no momento. Já as outras, que sentem o peso da crise, enfrentam tudo com férias antecipadas, como vêm fazendo, ou adotando o Plano de Demissão Voluntária (PDV) negociado.
Pessimismo
Obviamente depois das evidências com o movimento de Natal e fim do ano, a Associação Comercial do Paraná olha com extremo pessimismo o cenário de 2015. Temos o mau hábito de exagerar na euforia e na depressão. Cautela é preciso.
Aeroporto
Apesar de não ter completado sua reforma, o Aeroporto de Afonso Pena teria no ano passado atingido mais um recorde com 7,8 milhões de passageiros. Como a Infraero mexeu nesses indicadores, mais do que dobrando-os, a 14 milhões continuamos com as carências expostas.
Folclore
Um alerta: a falta de água que paralisou as varas criminais da capital é um dos muitos problemas tolerados e, em 2017, termina a concessão dos prédios que eram do Banestado e ora pertencem ao Itaú. Do Banestado sobrou o Youssef, a maior corrupção regional da CC5, que treinado aqui, virou internacional.





