Banho e realidade
Espera-se que o governo paranaense não perca a oportunidade de hoje para um banho de realidade, imposto pelas circunstâncias, no encontro secretarial e que deixe claro que o ajuste fiscal está acima de tudo e, só depois de solidamente assentado, venha possibilitar que se fixe metas para a gestão. Apertar o cinto para não ter que fazê-lo com o pescoço.
Assim o apelo dominante será em cima de cortes de cargos em comissão e em despesas de custeio como o uso de automóveis da forma mais moderada. Enfim, a racionalidade possível, não a desejável certamente, na fixação de parâmetro comportamental compatível com as circunstâncias do momento. Se for abolido aquilo que esteve mantido durante boa parte da primeira gestão no oba oba anestesiante já se terá dado um passo importante.
O Brasil se obriga a uma economia de guerra; o Paraná, que sempre foi uma exceção, está na mesma situação. Austeridade é brochante, eleitoralmente abominada e não temos cultura ajustada ao processo. Conter os impulsivos, os triunfalistas da lua de mel com o poder, é imperioso.
Pode ser um ato de rotina, mas na verdade tem a força de um teste para ver se fazemos uma imersão na realidade bem distinta dos imaginários. Há quem veja nisso uma sensação de derrota e não de vitória, o que também é um alinhamento compatível, pois essa deve ser a sensação da presidente Dilma depois de dizer o que seus adversários fariam como pecado e ameaça e que ironicamente está fazendo. Passou a hora de festejos e isso é constatável bem antes do carnaval.

Balanço
O ICI reclama de um débito de R$ 70 milhões, o da Cavo (que cuida do lixo) é maior: R$ 120 milhões (R$ 40 milhões da gestão passada) na prefeitura. Já no Estado um sinal acabrunhante: diárias do pessoal da Operação Praias não estão sendo pagas. Fossem empresas ambos fechariam para balanço ou estariam em processo de recuperação judicial.

Leilão
Justiça Federal vai leiloar judicialmente duas mil cabeças de gado pertencentes ao narcotráfico. Gado rumina, mas não ''cheira''.

Plano Diretor
A revisão do Plano Diretor de Curitiba foi entregue a conselheiros da área pelo arquiteto Sérgio Pires, presidente do Ippuc. Nos anos quarenta teve o Plano Agache (São Paulo e outras cidades também) e o Plano da Serete, o atual dos anos sessenta, do arquiteto Jorge Wilhelm até hoje vigora, mas há muito não contamos com intervenções fortes: a derradeira a da Linha Verde de mais de duas décadas. Há a sensação de que está tudo esgotado, mas não é assim: urge um novo ciclo de intervenções que não sejam band-aids como rotatórias e binários. E que eliminem essa anomia, falta de referenciais institucionais, hoje realçada pelo estoque de 100 mil imóveis, 22 mil novos.

Pão e água
No Fórum Criminal o pessoal estava condenado pelo calor a pão e água. Aí, tiveram que contentar-se com o pão, pois a água acabou. Já ao lado da fábrica da Coca Cola uma obra enorme interrompida transformou-se numa piscina. Água bem escassa, como o demonstra São Paulo, está aí para criadouro de dengue.

Força tarefa
Uma nova força-tarefa do Ministério Público Federal vai se deslocar a Brasília para novas diligências decorrentes da Lava Jato. O MP rechaça, como se sabe, a pretensão do acordão com empreiteiras, acertos apenas um a um.
Quando o pernambucano Agamenon Magalhães na Constituinte de 1946 criou a Lei Anti-Truste (que daria origem ao Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica) estava prevendo modernidades como a do Petrolão.

Folclore
Cartel é palavra abominada, mas prática de sempre. Em Londrina postos de combustíveis foram enquadrados como tal por alinhamento de preços. Aqui a denúncia jamais pegou.

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