LUIZ GERALDO MAZZA
A supressão da pesquisa mensal de emprego, feita por mais de uma década pelo Ipardes, é uma das causas do desalento
Refundar as rotinas
O governo paranaense precisa refundar suas rotinas, recuperá-las e isso com ênfase no planejamento e na parte fazendária. É que a ligação das duas era a coluna de sustentação mais do que a gestão financeira como da coordenação dos investimentos. Como se convocou um adventício para a Fazenda, concedendo-lhe com toda a razão superpoderes, urge saber se ainda temos planejamento, posto que tinha como seu derradeiro titular, Cassio Taniguchi, uma pessoa altamente qualificada. Ocorre que a pasta foi esvaziada, abandonou suas rotinas de estudos que vinham desde o tempo do coronel Alípio Ayres de Carvalho até um dos seus discípulos, Belmiro Valverde Castor Jobim, que marcou seu melhor momento na gestão Canet Júnior e no começo da de José Richa.
Como o novo titular, Sílvio Barros, já se declarou disposto a fazer das técnicas de planejamento marca de governo e estilo de ação é de esperar-se um caso clássico de restauração, algo como o primeiro dia da criação. Não há visivelmente maior prova de absurdo a contingência que estamos vivendo no plano fiscal, o caixa estourado e a administração sujeita a qualquer momento se ver, de novo, com o Seproc federal por descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, na parte de gastos com pessoal e saúde.
Assim, como há expressa confiança no secretário Mauro Ricardo Costa como o templário encarregado da proteção do cofre pondo fim ao oba oba de tantas e sucessivas prodigalidades (e a cautela é de tal ordem que trouxe como seu assessor mais próximo um companheiro das ações em Salvador), passa-se a esperar um desempenho fora do comum de Sílvio Barros que tem ao seu lado uma referência, o economista e mestre universitário Marcos Lourenço Jorge que dirige o órgão mais doutrinal do que operativo, o Ipardes.
Falta de projetos
No passado, não muito distante, o Paraná estava habilitado a colocar suas teses na estratégia nacional como quando se tratou da localização da Refinaria da Petrobras em Araucária e num segundo momento quando se discutiu o terceiro polo petroquímico do Brasil no qual, embora nosso estudo fosse superior, acabamos perdendo para o Rio Grande do Sul em função da Refinaria Alberto Pasqualini. Tínhamos perdido o porto para Enseada (SC) e acabamos, mais tarde, recuperando parcialmente com a unidade posta em operação em Paranaguá e ainda ganhando, como compensação, uma unidade de amônia e ureia, hoje privatizada, mas integrando o complexo de Araucária.
Respondemos mal, na primeira gestão Beto Richa, à exclusão de Paranaguá na malha estratégica. Não tivemos força também para contestar o que os ministros Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo insistiam em declarar, que não dispúnhamos de projetos, de propostas, enfim, o que se não era uma verdade inteira, tinha lá seu fundo de razão.
É impossível fazê-lo? Claro que não, principalmente se o ordenamento fiscal for restabelecido e com ele o retorno do intercâmbio indispensável com o setor de planejamento em atividades de coordenação do fluxo de investimentos. Como andamos mal na parte de inversões, já que há um percentual mínimo para essa finalidade a despeito da expressão de uma Lei de Meios com previsão de mais de R$ 50 bilhões. Não temos hoje sequer 10% para esse objetivo.
Da primeira administração Beto Richa, o aspecto mais saudável foi o da abertura ao capital nacional e internacional para inversões com mais de R$ 30 bilhões acertados. Com o aperto fiscal e a superação dos problemas de hoje, lá na frente, essa área pode ser incrementada, dependente, é claro, da melhora das condições no país e quem sabe com melhor definição da chamada guerra fiscal, sempre uma barragem na busca do consenso entre secretários fazendários.
Refazer é mais difícil quando a acomodação se tornou regra. Essa, a noção de refundação, seria uma ideia-força para esses momentos de mediania e falta de empuxe que revigore as mentes e rompa com a inércia. Nos meios acadêmicos se faz uma pergunta: a pesquisa socioeconômica para o planejamento público se tornou supérflua no Paraná? A supressão da pesquisa mensal de emprego, feita por mais de uma década pelo Ipardes, é uma das causas do desalento.





