LUIZ GERALDO MAZZA
Metropolitanismo político
Mais política do que técnica a doutrina vigorante em relação ao fenômeno metropolitano, agora com a criação de mais quatro (Cascavel, Campo Mourão, Toledo e Apucarana), mostra a inconsistência conceitual da questão. No início tínhamos duas grandes aglomerações a da Grande Curitiba ao Sul e o eixo metropolitano do norte-paranaense abrangendo o colar de cidades entre seus polos máximos Londrina e Maringá.
Emendas feitas de lá para cá mostraram o absurdo como o ato de botar Rio Negro na área curitibana que vai ao ponto extremo do mapa na divisa com Mafra em Santa Catarina. O conceito metropolitano ia além do fenômeno da conurbação, o entrelaçamento pela rodovia de municípios próximos; era preciso parâmetro de densidade ocupacional do solo e de outras definições comuns como a vocação da economia e afinidades geográficas.
De qualquer modo essa diluição de critérios deixa a classe política à vontade no propósito de atribuir à região premiada um status que, certamente, iria favorecê-la no tocante a ações integrativas que partam do Estado e da União. Na verdade estar ou ser metropolitano nem sempre muda o destino de uma cidade: bolsões de subdesenvolvimento como os do litoral e da Ribeira (Adrianópolis, afinal, também é metropolitana como Cerro Azul e Doutor Ulysses, um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano paranaenses). Estão repetindo com as metropolitanas o que fizeram com o municipalismo, nem sempre centrado na realidade que se pretende mudar mas no desejo de deputados em espaços de influência político-eleitoral.
Como a União está para atribuir novas responsabilidades de gestão nas regiões metropolitanas, indispensável uma contenção nesse movimento com uma tentativa de ajustar a doutrina a normas de planejamento. Esse ajuste ao Estatuto da Metrópole está muito longe do que estão fazendo as regiões metropolitanas de agora, meramente formais e ainda vinculadas demais à de Curitiba quando precisam fazer o plano integrado de cada uma delas aprovado como lei estadual, preocupação que deve levar a secretaria do Planejamento (Sílvio Barros) a essa coordenação.
Exemplos
Cascavel tem mais porte do que Toledo, mas como há rivalidades entre elas, ambas são metropolitanas, ainda que tão próximas. Assim também se aplicaria a acomodação entre Francisco Beltrão e Pato Branco no Sudoeste. Ou levando ao terreno da caricatura a emulação folclórica entre Paranaguá e Antonina. Os saques eram tantos que quando se fez o primeiro arranha-céu de Silvio Drumond os parnanguaras diziam que era para sombrear Antonina e refrescá-la. Não se faz planejamento com anedotas, mas muitos projetos não passam de piada.
Feitos
É contraditório o feito das prisões em massa num momento de superlotação de presídios, mas altamente positiva a apreensão de celulares nas delegacias. O primeiro ato para testar a eficácia da ida do Depen para segurança seria não permitir o celular na penitenciária, assunto final e inquestionável. Dias passados vimos o absurdo numa de Pernambuco em que havia presos em repouso com facões e boa parte com ouvido no celular. Isso é prioridade maior do que à da tornozeleira. Não confundamos a árvore com a floresta.
Folga
Outro dia o ataque ao Teatro Paiol, agora ao Museu Guido Viaro, pichado em suas paredes e roubado em duas gravuras. Pergunta-se: para que servem a Guarda Municipal, a PM, a Polícia Civil e empresas de segurança em área central?
Folclore
Só falta agora os indiciados da Lava Jato ficarem se acusando como fez o advogado de Cerveró ao perguntar por que não prendiam a Graça Foster que teria também mexido com seus bens. Sorte daquele que como bens de raiz tiver só os cabelos e os dentes, o que aí é extremamente difícil acontecer.





