LUIZ GERALDO MAZZA
A tragédia do Enem
Não há espanto no fato de mais de 500 mil participantes do Exame Nacional do Ensino Médio terem tirado ''zero'' em redação. Isso também explica a hecatombe dos vestibulares nesse quesito e no da matemática. No primeiro caso é o da evidência de uma sociedade pouco dada à leitura, na fronteira do agrafismo, e que não evoluiu com as novas tecnologias que de qualquer forma cultuam, ainda que à sua maneira, a expressão escrita.
Como o desempenho piorou de 2013 para 2014 aventou-se que a temática de agora - publicidade infantil - não teve a divulgação e debate como a anterior sobre a Lei Seca. De qualquer maneira uma tragédia que envolve tanto o aparato público quanto o particular e põe em foco a tal prioridade reivindicada por Dilma Rousseff para o seu governo, dando uma ideia de que se tratará de tema tão ou mais complicado do que o da recessão econômica em que estamos mergulhados.
Edições literárias no Brasil raramente produzem feitos como da reportagem histórica do maringaense Laurentino Gomes, com milhões de exemplares. Da mesma forma nossas tiragens de jornais confirmam essa tendência como uma soma de pouco mais de 4 milhões de cópias para 115 jornais listados no Instituto Verificador de Circulação. Um jornal popular de Minas Gerais, Super Notícia, é o primeiríssimo lugar com 285.372 exemplares. Dentre os clássicos a ''Folha de S.Paulo'' aparece com 218.570, O Globo com 211.622, Diário Gaúcho com 185.849, Extra com 179.112, Zero Hora com 172.371, O Estadão vai aparecer em oitavo com 168.613. Enfim, apesar de uma recuperação alegada da mídia impressa, números bastante pobres.
Esforços como o dos dois principais jornais paranaenses fazem com o uso de textos para avanços didático-pedagógicos em sala de aula são relevantes para reversão do quadro tão decepcionante. É preciso, no entanto, muito mais.
Informalidade
Uma convocação de taxistas para uma greve pelas redes sociais em nome de uma união da classe informal tenta explorar o suposto desânimo momentâneo com a retração do mercado, aliás comum a essa época do ano agravada pelo recente aumento da frota. A guerra é contra o sindicato da categoria.
Fugas
Há quem esteja ligando as fugas nos distritos a um protesto contra a ida do Departamento Penitenciário para a secretaria de Segurança. A do 11º Distrito foi detida, a do 3º Distrito (Mercês) com 16 fugitivos foi na madrugada de ontem. A vulnerabilidade é histórica para justificar a relação entre isso e o ato administrativo.
Stakanovismo
Um dirigente soviético Stakanov pregava uma ''emulação capitalista'' interna premiando cientistas, comerciantes, produtores. A condição de ''heróis'' os satisfazia, na verdade algo parecido com experiências capitalistas como a dos clubes que premiavam líderes na produção rural empregadas por nossas Emater.
Para desanuviar o clima negativo com o Enem um exemplo do gênero: um cartaz no Colégio Estadual Guido Straube, nas Mercês na capital, anuncia o ganho de 18 pontos no ano, isso é 2014, que era meta para 2019. Quantas unidades paranaenses podem exibir tal feito? Poucas certamente, mas a exposição valeria. Um saque stakanovista para queimar etapas como o valente colégio. .
Folclore
No Ginásio Paranaense, anos 40, prova de geografia e o mestre pergunta ao aluno qual o maior rio estadual. Sebastião Paraná, glória da área, está no posto de presidente da banca e aponta, discretamente para ajudar, para si mesmo. O aluno se sai mal, dizendo que é o Rio Negro, confundindo-se com a cor do mestre. Anedota politicamente incorreta num tempo de menor patrulha.





