LUIZ GERALDO MAZZA
Desequilíbrio visível
Nesse embate entre governos estadual e municipal na questão do transporte dá para perceber claramente a superioridade de estruturas como Ippuc-Urbs sobre a da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Comec, ente ainda mal articulado. Essa desvantagem no tema sempre mostrou que o governo estadual ficava em posição inferior, escasso de massa crítica e de doutrina. Quando os atores em cena são da mesma base, tudo bem, já que os acertos se tornam facilitados.
Como já demonstrei, em situações históricas do início da Curitiba autônoma com a eleição de Ney Braga em 1954 é que se praticaram os primeiros atos visando a organização do sistema, tanto que mal saíram os bondes de cena tivemos a área ocupada por autolotações sobrecarregados e que não obedeciam horários. Nada menos de dois locautes contra as gestões dos militares Ney Braga e Iberê de Mattos. Neste o governo estadual, de Moisés Lupion, apoiando os empresários, transferiu o sistema municipal para o DSTC, Departamento de Serviço de Transporte Coletivo, do DER que cuidava do transporte interurbano. Claro que a Justiça anulou a ingerência indevida.
O fato é que a municipalidade induziu todo o sistema até a integração e detém mais know how acumulado, inclusive podendo até cobrar royalties pelo uso de instalações como terminais e estações-tubo entre outras coisas. É batalha durável e que exige categoria dos litigantes e não a desagradável impressão de que um pretende tungar o outro numa competição de maliciosos.
Quem desferiu o último golpe foi a parte mais fraca, a Comec, com a pesquisa origem-destino feita pela Fipe e alvo de gozação da Urbs, com deselegância e nenhuma firmeza na retórica, e que deu margem a uma jogada de pôquer, onde se sabe impossível todos blefarem ao mesmo tempo.
Ontem, o governador Beto Richa resolveu reforçar o time da Comec designando o arquiteto Omar Ackel para presidi-la. Omar participou de muitas das etapas do processo e pode reequilibrar em linha de argumentos e tirar da disputa o caráter de bronca de parque de diversões, melhorando o seu QI.
Petrobras
Só no Cerco da Lapa o Paraná virou divisor de águas, então militar em plena Revolução Federalista, como agora no embate judicial da delação premiada. E se vários personagens são paranaenses do juiz Sérgio Moro, aos promotores e policiais, doleiro Youssef e Paulo Roberto Costa, mas também os advogados como Renê Ariel Dotti da Petrobras e Juliano Breda, presidente da OAB, de uma das empreiteiras, a OAS.
Esse protagonismo nos colocou no cenário nacional: agora, por exemplo, o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, em nome do cliente, nega o envolvimento tanto do deputado federal Eduardo Cunha como do senador Antonio Anastasia como já fizera em relação a um político paranaense apontado como protegido do doleiro e que o levou a pedir acareação negada pelo juiz Sérgio Moro.
É evidente que tais questões constantes do processo não são inteiramente elididas com essa intervenção.
Chips
Estamos no auge dos crimes eletrônicos: agora a polícia botou a mão numa gangue de quatro que vendia chips de celular inclusive com a manipulação do CPF de outrem.
Por um fio
Equipe da Rádio CBN, cobrindo o festival de música, foi ao Teatro Paiol para ver o ensaio da banda celta e lá chegando deu o furo: a casa estava sem luz porque haviam roubado seus cabos de cobre.
Folclore
Nas redes sociais um ranking mostrando Curitiba como uma das cidades mais caras do mundo dentre duzentas. Como no passado só havia notícia boa, houve quem achasse que o mais cara fosse ''mais querida''.





