Modelo dessacralizado
A cada momento em que se agravam as disputas entre Urbs e Comec, se percebe que não há espaço para boas intenções no trato do transporte coletivo da capital. E a prova disso está em que quando a prefeitura não consegue impor suas condições parte para a ameaça de ruptura do sistema integrado como se deu na primeira gestão, crise contornada à época após troca de acusações.
Agora a Comec, de posse de uma pesquisa origem-destino de usuários, que a Urbs não aceita por falta de consistência técnica e científica, tenta baixar o peso da contribuição no subsídio do sistema, reabre-se o antagonismo já que o município alega que o governo estadual lhe deve R$ 16 milhões, isso numa época de vacas magras para os dois lados.
Há uma posição militante no oficialismo, isso é os corifeus do sistema (seus técnicos e doutrinadores), contra a tal pesquisa e, a cada vez que era proposta, ouvi de alguns deles que se tratava de uma picaretagem. O que é surpreendente é o fato de toda a articulação do decantado modelo ter sido empírica, isso é com as linhas se expandindo conforme tendências captadas da mobilidade dos seus usuários. Fique bem claro que quem induziu a integração foi a Urbs na maior parte do tempo e é quem a usa como arma de pressão com a ameaça de ruptura, que transferiria um abacaxi milionário aos cofres estaduais.
Como as duas instituições, governo e prefeitura, estão quebradas (mal podem garantir folha de pagamento, não pagam promoções e progressões funcionais e driblam fornecedores e prestadores de serviços sistematicamente) é visível que nenhuma das partes age com boa intenção, todas as duas empenhadas em baixar seus custos e a transferir ao outro suas responsabilidades.
Essa é a verdade contundente: dessacralizaram o modelo e ninguém quer aceitar a culpa.

Dívidas
87,5% das famílias paranaenses se encontram endividadas, conforme avaliação da Federação do Comércio de janeiro a dezembro do ano passado. Nada há no horizonte que indique menor sufoco para este ano já sob recessão técnica e a médio prazo não há como se divisar sinal de melhoria. O negativismo é de tal forma tão grande que a simples resposta dos vestibulares é celebrada como um fator de descompressão no mercado imobiliário pela circunstância de que os jovens do interior e de outras unidades precisarão de locações.

Senegalesco
Na imprensa antiga, retórica e parnasiana, dizia-se sobre esse calor que atualmente nos atinge e sufoca era senegalesco. Há previsão de um verão fora das escalas habituais e com ainda o fator chuvas fortes que testam - e isso de forma sistemática - a Defesa Civil com enchentes e deslizamentos, a caótica queda de árvores, a supressão temporária do suprimento de energia, dentre outras anomalias.
No mercado procura intensa de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, indispensáveis mesmo com os credores na marca do pênalti.

Viroses
Além das queimaduras de sol e das águas vivas, um novo problema no litoral: o das viroses, muitas delas de origem hídrica e vinculada à alimentação. Também é penosa, como já se esperava, a situação do lixo e a água persiste racionada em função de as antigas promessas da Sanepar não terem sido cumpridas.

Disputa férrea
Pela vez primeira se cumpre o rigor ritualístico da exoneração dos cargos em comissão e a luta por esses postos vai ser a mais intensa possível, rendendo benesses e até o fim de absurdos como o de servidores colocados à disposição, alguns até no exterior. Há quem deseje que a prática atinja todos setores.

Folclore
Das tendências petistas a pentecostal não consegue mais se ajustar no partido, os petelhos (que eram provocadores) são cada vez minorias e os duros, os da linha petecântropus erectos, tendem ao silêncio sabático.

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