Pombos na cartola
Duas pressões sindicais e a prefeitura da capital, em clinch, produziu a magia: os R$ 3,8 milhões para acudir empresas de transporte que não pagaram salários e ontem, logo depois de uma ameaça de greve dos trabalhadores do Instituto Curitiba de Informática, apareceu a grana para atender a demanda. Parece teatrinho de parque de diversões. Apertou, bufa.
De qualquer forma os episódios deixam claro a crise fiscal que alcança tanto o governo estadual como o municipal. É evidente que chegará um momento em que não haverá espaço para magias com a retirada de pombos e bandeiras coloridas do interior de uma cartola.
O fato é que embora alertados tanto Beto Richa quanto Fruet gastaram muito, este nomeando 4 mil servidores e aquele atendendo todas as pretensões sindicais para o aumento de salários, inclusive em cima do pleito com um pacote de doze reajustes, a complementação do hora-atividade dos professores com mais 3% e acertos com várias categorias, inclusive bombeiros.
Obra perfeita está aí caracterizada: promoções e progressões não são pagas, os que passaram em concurso vão ter que esperar para assumir e fornecedores e prestadores de serviço, de um modo geral, terão que aguardar para receber suas faturas. É a paralisia. No caso do ICI afirma-se que há um débito de R$ 70 milhões e assim a equação muda: dizia-se que a cidade era refém da instituição e agora se capta que ela, num setor estratégico, também pode ficar dependente da sua contratada.
Nos dois casos a fatura não era tão alta e foi possível contornar a crise com um lance de ilusionismo, mas ficou visível que os dois níveis de governo têm que usar boa dose de malícia para driblar credores, altamente especializados em prestidigitação. Quem carece de prestígio, e sobretudo de seriedade, à falta de outra alternativa, agarra-se na prestidigitação.
Não é difícil a um mago eleitoral fazer isso, às vezes, em alguns casos, algo único que sabe fazer.

Repúblicas
Nos tempos em que a capital era efetivamente universitária, o comum era a montagem de "repúblicas" em pensões e casas de cômodos para os estudantes. Pois agora um estudo do mercado imobiliário aponta que nos últimos anos houve recorde de contratos de locação em Curitiba em função do vestiba. Isso amainaria em parte o drama bastante sério do estoque de prédios por vender ou alugar. Especula-se em mais de 100 mil dos quais 22 mil novos.

Golpe
A polícia apurou que 10% das comunicações de roubos de automóveis não passam de tentativas de golpes contra o seguro.

Gato
Copel descobre mansão de médico em Foz do Iguaçu que fazia "gato" para não pagar a conta da luz. Não é novidade e muita gente alta se enrolou nessa, uma ocasião com figura proeminente do governo estadual.

O medo
Arma clássica do fascismo, o medo, em função da onda terrorista, pode levar a direita a vencer o pleito próximo na França ante os últimos acontecimentos. Por sinal que a pior solução, a execução dos criminosos do ataque ao jornal humorístico, vai transformá-los em "mártires". Marine Le Pen, líder da extrema direita, quer a máxima dureza, clima ideal para seu proselitismo.

Carnaval
Apesar da crise, a Prefeitura de Curitiba investe no Carnaval, cujo aspecto alternativo ligado ao rock começa a firmar seu estilo.

Folclore
Paraná é uma das unidades federativas com maior número de processos no Conselho Nacional de Justiça, dentre eles o do chuncho descoberto pelo Gaeco da licitação do anexo do Tribunal de Contas.

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