Empate na covardia
Mais uma vez a população sofreu pela falta de sensibilidade do prefeito Gustavo Fruet e do governador com o tumulto generalizado no sistema de ônibus com algo bem pior do que a greve anunciada para as empresas inadimplentes com seus trabalhadores. O prefeito jogou pesado ao conseguir apoio a sua versão de que a culpa era do governo que atrasava repasses, já em mais de R$ 16 milhões, com o sindicato caracterizando que o responsável por tudo era Beto Richa.
Quebrados financeiramente, inadimplentes também com empresários e mormente com o público, faziam um pingue pongue de troca de acusações como se estivessem na prática de lazer, conquanto soubessem que o clima estava tórrido. Tudo com jeito de encenação inclusive a ação contra a greve abusiva, dando a impressão que a Urbs fustigava o sindicato dos trabalhadores, quando tanto ela quanto a Comec, o órgão metropolitano, nada fizeram para reduzir a tensão e buscar uma solução negociada pela evidência de que o crédito alegado é discutível, principalmente depois que a pesquisa origem-destino demonstrou um peso maior nos ônus das linhas metropolitanas.
Algo mais próximo de malandragem de parque do que empenho mínimo em encarar o problema, mas com visível intenção de tirarem proveito político (e na aparência favorecendo a prefeitura pela posição sindical) e imporem desgaste. Só faltou o governo anunciar que assumiria, mesmo quebrado como está, a integração metropolitana deixando ao município as linhas da cidade. Pior, do que isso tudo, é perceber que o cenário é o do iceberg, cuja parte visível nem sempre é a mais dominante.
Um empate na covardia e na omissão, embora a curta distância no Centro Cívico entre um palácio e outro.

Carnaval duplo
Em fevereiro o Brasil vai ter mais do que Carnaval: aqui por exemplo o racha entre prefeitura e governo estadual, na questão do transporte, terá novos e emocionantes capítulos com o reajuste salarial de motoristas e cobradores. Já nacionalmente, na primeira quinzena, teremos o provável enquadramento dos políticos na Lava Jato e que ameaça tirar da disputa presidencial da Câmara Federal o candidato mais cotado, o Eduardo Cunha, arma-chave do PMDB na sequência das pressões contra o Planalto. Cada hora pinta um novo beneficiário das verbas do propinoduto da Petrobras e o do momento é o senador mineiro Antonio Anastasia, revelação de um policial preso na operação. E até agora continua envolto em mistério o paranaense que teria sido ajudado, e isso protegido pela censura, por Alberto Youssef e que quase rendeu uma acareação no processo negada pelo juiz Sérgio Moro.

Imaginação zerada
Há um clima impedindo o pensamento: um vereador (Tico Kusma) acha que multando viciados em drogas nas ruas dá contribuição contra o tráfico e a prefeitura quer cobrar ''pedágio'' pelo uso por bares, restaurantes, bistrôs e petiscarias do espaço da calçada. Em primeiro lugar, urge fiscalizar essa bagunça que em alguns casos tira o espaço regulamentar do pedestre, tal o abuso da ''extensão'' espacial concedida ou tomada. Essa modernidade que vem do período lerneriano é necessária, mas convém conter abusos e a ideia de cobrar, desde que razoável, não é má.

Armas
Aumentou consideravelmente a apreensão de armas no litoral no andamento da Operação Praias. Deslocamento massivo às praias é teste da tese de que o policiamento, ostensivo e na rua, é o único meio de combater a violência.
Folclore

Com tom de juízo final, o senador Requião diz encaminhar para hoje ao TC e Ministério Público estaduais um parecer da Secretaria do Tesouro Nacional que acusaria fraude em empréstimos do governo paranaense. Pode ser uma bomba, mas também pode ser outra ''bala de prata'' certeira como aquela prometida na campanha eleitoral e que deu chabu.

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