LUIZ GERALDO MAZZA
Anomia geral
Em menos de duas semanas cenas da Chicago dos anos 30, século passado, tomaram conta de áreas centrais de Curitiba: um choque entre gangues com seis mortos no hipermercado Walmart, na passagem do ano; anteontem tiroteio no trânsito nas cercanias da Arena da Baixada e ontem ataque a um casal a tiros na praça Carlos Gomes.
Como a capital desde ontem conta com novo arcebispo, dom José Peruzzo, é pelo menos uma sinalização de esperança no pedaço porque no governo não dá mais para confiar, não porque gerou o terremoto fiscal que o afunda, e sim porque, em meio a essas ocorrências, nega sua presença. Como se afasta a hipótese de contar com o governo há, pelo menos, a esperança de que o novo comandante da Igreja Católica sirva de ponte com Deus para gerar algum sinal de esperança a todos os que se encontram neste vale de lágrimas.
E como o midiático secretário de Segurança, o Franceschini, ainda anteontem, vestido a caráter como guarda-vidas, marcava sua presença nas praias de repente é bem capaz de pintar no meio de uma troca de tiros para repetir aquela sua façanha ao prender o Abadia. Aí, haveria palmas justíssimas.
Desaparecem os vestígios institucionais num quadro que tende à anomia: se não há governo - e as evidências vão além das promoções e progressões negadas aos servidores civis e militares e na barbárie das ruas (dentre elas uma legião de lúmpens e moradores de ruas que cresce em progressão geométrica de forma já incontrolável) e na sinuosa troca de acusações como dupla de humor na base do Bud Abot-Lou Costelo entre a Urbs e a Comec para explicar o corte de salários de cobradores e motoristas - ,só nos resta apelar à providência divina porque a greve no transporte será inevitável, ainda que limitada, como sugere o advogado do Sindimoc, às empresas inadimplentes. Urbs anunciou crédito de pouco mais de R$ 3 milhões para as inadimplentes acertarem as contas.
Greve
Havia a hipótese de uma recriação da greve de solidariedade dos anos 60 tanto no ABC paulista, na Volks, como na dos motoristas e cobradores da capital. Até que pintou uma aragem de bom senso enunciada pelo advogado Elias Mattar Assad de que a parede seria limitada às empresas que não fizeram o pagamento, algo menos selvagem e que abriria espaço ainda para solução.
Prefeitura e governo estadual não têm a mínima moral para ficar encenando um desentendimento sem fim - um acusando outro de não ter pago ou de não haver apresentado a fatura - porque o fato real é que ambos estão quebrados e daí a presunção natural de que se valham da conjuntura para ''enrolar''. Obrigação de ambos era evitar o pior, a greve, que pode gerar, além da supressão de algumas linhas, a revolta dos usuários e consequentemente base para renovadas ações de desespero.
Isso não é nada: na transição de fevereiro para março teremos mais dose de mundo cão porque é tempo de negociação do contrato coletivo de cobradores e motoristas e certamente a dupla caipira Urbs-Comec terá papel relevante no campo da mediação a que se verá obrigada.
Mais tensão
Professores da Faculdade Evangélica, que cancelou vários cursos, ainda um tanto quanto inconformados, vão entrar na justiça com interpelação judicial alegando que jamais foram comunicados de decisão tão importante. A direção da faculdade alega que ajustou com outros cursos a garantia da continuidade dos estudos dos seus alunos.
Folclore
A supressão fotográfica da tatuagem do secretário de Segurança já teve antecedentes em nossa imprensa como a da exclusão de Lerner, o governador, da inauguração dos Jogos Mundiais da Natureza pela Gazeta do Paraná de Cascavel. Há também, de um tempo de menos tecnologia, em que a diversão da revelação laboratorial era botar com nanquim um sinal no rosto que o jornalista Moacir Mitisiamu de ''O Estado do Paraná'' procurava esconder. Seu apelido era Nanquim na Cara.





