Amnésia de quem?
Quem é o amnésico, o que perdeu a memória, o governador Beto Richa ou a massa de políticos da cidade que reclama de falta de atenção? Uma coisa é concreta: Maringá cresceu mais do que Londrina no período Richa de governador e tende a manter a distância com os poderes concedidos a Ricardo Barros, desde a primeira gestão e agora consideravelmente ampliados, ao emplacar a mulher como vice, o irmão como secretário de Planejamento e a filha como deputada e também ele próprio com mandato federal e tráfego facilitado no Alvorada, uma quase dinastia política. E é tal o desfrute que o casal se habilita a fazer a ponte entre a Presidência da República e o governo regional, carência duríssima.
Quando Londrina perdeu na economia a corrida com Maringá, ela detinha, além do governador, dois secretários: os "Luízes" Cheida e Hauly. Isso quer dizer o seguinte: não basta a representação, mais vale o pragmatismo dos Barros em termos concretos. Não consta, por exemplo, que o prefeito atual de Londrina, o Alexandre Kireeff, fosse indicação ou que tivesse apoio, mesmo discretíssimo, de Beto Richa, o que afinal revela sinal de independência não apenas dele, mas da cidade.
A avalanche eleitoral em Londrina, a maior entre os cinco colégios eleitorais de expressão, talvez justifique esse sentimento de ausência, por parte dos grupos que gostam de falar e reclamar. Londrina deve fazer reivindicações bem específicas que digam respeito à região que polariza e, para tanto, ser capaz de indicar prioridades e fazer daí um plano de acompanhamento. E esse sim seria um juízo de valor apropriado.
A história tem ensinado Londrina a perder e recuperar espaço: deixou de ser a terceira cidade mais importante do Sul do País ao perder a batalha demográfica para Joinville; todas as preocupações atuais com seu Plano Diretor revelam consciência crítica de que sabe que há muito o que resgatar, posto que tal preocupação não se assente em nostalgias inviáveis como a do papel exercido no miniciclo da cultura cafeeira quando de fato expressava o que havia de mais forte no Paraná e nem por isso merecia reciprocidades.
Se presença ministerial, por exemplo, traduzisse prestígio estaríamos mal nesse momento quando perdemos as pastas ocupadas por londrinenses e que, convenhamos, também não nos garantiu tantos retornos se é que os tínhamos programados.

Queda
Metade dos curitibanos rejeita a gestão do seu prefeito, conforme sondagem da Paraná Pesquisas. Não há sinais de obras e a demora do metrô, rejeitado também por boa parte do público, conquanto Gustavo Fruet tenha pouco a ver com isso, é pela expressão da novidade motivo de decepção. A greve dos motoristas e cobradores está no disparo para justificar a queda.

Sobe
Sobe o custo da Arena da Baixada em mais R$ 45 milhões e já alcança, segundo cálculos mais recentes, R$ 391 milhões. Isso, por enquanto, já que não haverá qualquer espanto com novos acréscimos. Espantará, sim, o fato de as partes pagarem o que devem e ao que se comprometeram.

Coxa
O Coritiba, com a derrota do Real Madrid, se consolidou como o time do mundo com maior número sequencial de vitórias, de todas a 24ª, a mais importante, por seis a zero contra o Palmeiras de Felipão. Guerra na internet com alguns espanhóis chamando os coxas de macacos. Só se forem albinos, já que o time é tido como alemão, daí o coxa-branca, numa aceitação da caricatura.

Festas
Na capital e em todo o Paraná queda nas vendas no Natal e festas de fim de ano, apropriada ao quadro recessivo da economia e que pode encaminhar-se para a depressão.

Folclore
Vai ser difícil o convívio de Dilma Rousseff com a equipe econômica, tal qual se viu no puxão de orelhas no ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que anunciara novo modelo de reposição do salário mínimo. Essa ainda dá para assimilar com "fair play", mas até quando?

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