Agora vai?
Criada a atmosfera de autossuperação, pelo menos na equipe governamental, dá para captar que há a consciência nítida de que Beto Richa vai ter que fazer em sete anos no mínimo o dobro do realizado até agora. E isso não deixa de ser um bom começo: a visão de que o Estado deve e muito à população, conforme deu para captar no resumo da repórter Mariana Franco Ramos a dimensão do muito a fazer diante do relativamente pouco realizado.
Claro que numa solenidade de posse, como a de ontem, há ambiente até para a catarse nas celebrações de uma vitória eleitoral épica. Mas quem deve tanto tem que entrar em ritmo diferenciado e lembrar que o primeiro dia já se foi e de repente estaremos a comemorar o segundo mês, o terceiro aniversário e dali a pouco o tempo de deixar o comando e passar a cuidar da eleição ao Senado. E nessa passagem do tempo, tal qual se deu no primeiro mandato, daria então para captar se o ritmo adotado foi bom ou reprisou o da situação anterior.
Beto Richa prometeu fazer o segundo governo melhor que o primeiro, o que não é uma tradição histórica da praça como se deu com Moisés Lupion, Ney Nraga, Jaime Lerner e Roberto Requião. Mas era o mínimo que se poderia esperar de um ato confessional, pois não tivemos uma obra que expressasse o período já que o problema das relações com as consorciadas do pedágio está longe da clareza mínima que se exige da função pública em termos de transparência não enodoados com a opacidade dos acertos contratuais já postos em xeque no Judiciário.
Exagera o governador ao afirmar que cumpriu 76% dos compromissos firmados em cartório, mas essa não é a percepção do público que é claro festejou obras de continuidade como a da hidrelétrica de Mauá e viu, e de forma descentralizada, a paralisação de escolas e hospitais e mesmo na área protegida das estradas. Evidente que a força ciclópica da vitória eleitoral dá ideia de um apoio excepcional, posto que amplamente favorecido pela ausência de opções aceitáveis na disputa.
Também não cola insistir na pegadinha da perseguição federal: governos diziam isso, no passado, mas tinham um argumento moralmente forte nas obras que empreendiam em usinas hidrelétricas, rodovias (Canet Júnior fez 5 mil kms com pavimento de baixo custo, Alvaro Dias um pouco menos e a meta-ambição atual é a de duplicar 750 kms de rodovias), redes de telecomunicações, escolas, postos de saúde. Esse fazer era uma resposta ao distanciamento da União e não um "teaser" de campanha eleitoral como se fez com a imprecação repetida no aconselhamento do Goebbels e desmascarado na convocação de Mauro Ricardo Costa para acertar a destrambelhada situação fiscal da atual gestão e das que a antecederam como as de Lerner e Requião.
Agora, vai? Com jeito vai se não um dia a casa cai como sentencia a música de carnaval.

Medida
O Paraná precisa, antes de tudo, recuperar a ambição: deixar de ficar em clinch, em postura defensiva, e mostrar talento e determinação. Em primeiro lugar não temos, em momento tão importante, seja pela expressão da vitória eleitoral ou pela consciência de que precisamos recuperar espaços e termos maior relevância na vida nacional. No Sul, que deve ser um referencial para apurar índices de desenvolvimento regional, voltamos a perder posições. Na parte social - segurança, escolaridade, expectativa de vida - levamos um baile como as últimas notícias da Pesquisa por Amostra Domiciliar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o demonstraram. Vínhamos recuperando posições na economia em relação aos gaúchos e voltamos a empacar, e o avanço dos catarinenses na malha portuária (de repente Itajaí se fez segundo PIB depois de Joinville naquela unidade) mostra o quanto estamos atrasados. Daí, aliás, a pertinência dessa analogia, antes de tudo pedagógica. E cá, entre nós, não ter ministros não significa perda.

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