Austeridade parcial
A austeridade do novo governo estadual é parcial: ninguém tem certeza de que fará as transferências devidas à ParanaPrevidência e normalmente escamoteadas por todos. A obrigação dele é compartilhar no processo de capitalização do fundo de pensão com parte igual à de cada servidor contribuinte, agora com o reforço da cota dos aposentados, há mais de dez anos adiada.

Não há austeridade de um lado só e a dívida do Executivo com o fundo pode se tornar de repente impagável, dentro da velha tradição brasileira. O fato de existir uma crise, em meio a uma recessão nacional, não justifica desvios dessa ordem e cabe à secretária Dinorah Nogara, que responde simultaneamente pela Administração e a Previdência, fazer os alertamentos dentro do sistema e não correr o risco de ser cobrada amanhã por eventual omissão.

A simples circunstância de cobrar a previdência dos aposentados, reação havida em todo o país para postergá-la como se fez, deveria impor esse estilo de direcionamento: o compromisso de o Estado não continuar inadimplente em relação ao tema. Imposição ao mesmo tempo técnica e, sobretudo, moral. Se taxa os aposentados, depois de tanta relutância e consultas, inclusive no campo do Judiciário, obriga-se ao figurino de pagar seus compromissos.

Mas esse traço contraditório aparece em outros diplomas como os referentes ao nepotismo e à ficha limpa. Embora não coloque tantos parentes como fez Requião nos seus secretariados infringe o rigor mais radical da regra e quanto à ficha limpa, qualquer preocupação com o tema é ociosa diante da presença fulgurante do Ezequias Moreira, ainda que não julgado por órgão coletivo, no secretariado dada a esperteza acrobática de enganar o erário e à própria sogra fantasma com aquele ganho extra drenado para sua conta.

Firmeza
O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, ganhou superpoderes com um dos atos governamentais sacramentados. Firma-se ali o princípio do rigor que haverá nas despesas: sem nomeações, sem promoções, aumentos mínimos no curso da gestão como se requer numa economia de guerra.

Pelas entrevistas concedidas, o novo secretário terá que controlar, a um só tempo, os seus colegas, incluindo aí o governador, reincidente na falta, bem como as clientelas internas, funcionais, dentre as quais a dos professores já fez um "aquecimento" na posse chamando Beto Richa de caloteiro pelo não pagamento de haveres de um setor minoritário funcional.

O Conselho de Gestão várias vezes baixou instruções proibindo até percepção de atrasados, mesmo com decisões judiciais, e obviamente isso não valeu porque os professores chiaram e ameaçaram greve como também o fizeram na proibição do pagamento da antecipação das férias e acabaram atendidos.

Mau começo
Fim de ano e início de outro mau começo na área de segurança: desde zero hora de 24 de dezembro até ontem foram mortas à bala 38 pessoas na capital e região metropolitana, a maioria de jovens, entre os quais seis no estacionamento e instalações do hipermercado Walmart. O batismo do secretário Franceschini não foi apenas aí, mas também no fato anterior à sua posse na rebelião presidiária de Maringá.

Único aspecto positivo naquele evento foi o da não transferência de presos, bandeira de moleza que estimulava tantos motins, como se viu.

Folclore
Petrobras sempre foi ligada em sua imagem à soberania nacional e também à capacidade do povo brasileiro em tecnologia. No discurso presidencial, Dilma Rousseff falou nos predadores internos e inimigos externos. Se esses inimigos são os da competição só podem estar celebrando os desvios ocorridos que atingem mortalmente a imagem da empresa sempre protegida e justificada.

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