Cobrador de promessas

Como a oposição está minimalista, resta espera que, num gesto surpreendente, Beto Richa inove com uma figura não formal, a do ombudsman encarregado de cobrar as promessas, as do período passado, maioria não cumprida, e as do novo e assim criando pela vez primeira a prática interna da autocrítica, algo bem mais concreto do que as supostas avaliações dos contratos de gestão.
Como a ideia do pagador de promessas conserva um pouco do sincretismo rural brasileiro e na linha do Zé do Burro, de Dias Gomes, parece mais adequado essa visão de um cobrador exigente e que para a fauna habituada ao oba oba seja um chato de primeira.
É evidente que nem tudo vai mal e um exemplo é a área cultural, não que o Paulino Viapiana seja um gênio, mas um agregador e uma figura com senso de seleção raramente visto nos últimos governos, montando uma equipe que tem tudo a ver com os objetivos permanentes do setor. Há muitos anos não se via a Biblioteca Pública tão bem dirigida e com Rogério Pereira mostrando um nível só encontrado com o Fausto Castilho, cientista político e filósofo, na gestão Adolpho de Oliveira Franco e Lamartine Correa Lira, jurista e pensador, no governo Ney Braga, ambos nomes nacionais. A rotina da Biblioteca está aí com seu nível variado de atividades, seu excelente e apropriado "Cândido", jornal da casa.
Também no Guairão Mônica Rischbieter e no Museu Oscar Niemeyer com Estela (Teca) Sandrini temos uma orquestração viva de trabalho e empenho. Como o bom técnico de futebol, o Viapiana, antes de tudo, sabe escalar. E isso faz essa Secretaria ter uma peculiaridade própria, que não é fruto de milagre, mas da convocação correta do corpo operacional.
Há a área de difícil recuperação das rotinas, dentre elas as de Educação, Segurança e, sobretudo, a de Planejamento, hoje uma fantasmagoria do que foi em passado recente, sem quadros e sem estudos, com a exceção forte daquele que dirige o Ipardes, ainda atuante, com Lourenço Jorge.
São exemplos de pequenas intervenções acupunturais, para usar o diagrama de Jaime Lerner, que podem mudar o comportamento geral pelo contágio.

Inidoneidade

O primeiro passo para declarar a inidoneidade das empresas capturadas nos desvios da Lava Jato foi adotado pela Petrobras ao proibi-las de participar de novas licitações e contratos. Formalmente é o que a maior estatal brasileira poderia fazer diante do envolvimento dessas 23 prestadoras de serviços.
Há quem tenha sugerido que o simples enquadramento delas paralisaria o país, o que chegou a ser cogitado como estratagema para um acordão como aqueles que vimos na Constituinte de 1988. Ontem, na capital, os presos da Lava Jato foram visitados pelos parentes, algo ainda com atmosfera de sonambulismo.
Por falar nisso, já tivemos na história do antigo DER, não o de hoje, mas o dos tempos em que era área de excelência, empresas que foram declaradas, por descumprimento contratual, inidôneas, mas que puderam sob nova marca voltar a operar e com eficiência no mercado.

Estrangulamento

A expectativa de 2 milhões de frequentadores nas praias paranaenses na virada do ano obriga a rever coisas básicas que começam com a falta de água, excesso de lixo para a capacidade de coleta e a questão infraestrutural da ligação entre a BR-277 e a PR-407, a estrada que começa em Praia de Leste e termina em Pontal do Sul. Basta ver essa irracionalidade para perceber que não cuidamos do presente (em face do engarrafamento permanente) e muito menos do futuro, já que o governo vive a prometer a exploração portuária da Ponta do Poço e cuja ligação com a BR-277 nem estudos tem a respeito.

Folclore

A queda do posto salva-vidas sobre banhistas, semana passada, diante da tempestade, é flagrante do desaparelhamento e da precariedade da instalação. Dá para lembrar do teleférico de Camboriú e aquele de Matinhos, um parque de periferia, que matou e feriu pessoas, para medir o nosso acanhamento.

mockup