LUIZ GERALDO MAZZA
Sem sinais de mudança
Se julgarmos o governo por seu secretariado, poderemos afirmar que fora o tzar das finanças, que pode realmente gerar algum fato novo com uma resistência em gastos com pessoal, gerando conflitos positivos para as contas públicas, mas negativos politicamente, e mais o Chefe da Casa Civil, dotado de inegável capacidade coordenadora, o ex-deputado Eduardo Sciarra, não há nesse conjunto de pessoas conhecidíssimas qualquer sinal de inovação.
Claro que há expectativas positivas em relação à Segurança, mais pelo rótulo do que pelo conteúdo do delegado federal e deputado Fraceschini, que se arroga no feito de ter abatido o Abadia, o que não deixa de ser mensagem forte para um setor sabidamente tomado pela indisciplina e ausência de coesão, dos quais são referenciais o ataque de policiais de oposição encapuzados à mansão de lenocínio e jogos, supostamente protegida, e o lamentável show da loucademia de polícia no caso da menina Tayná, em Colombo, com a acusação dominante de que os indiciados foram torturados pelos inquisidores. E, mais do que tudo isso, a prática dos desvios como os detectados pelo Gaeco e que atingiram quadros de hierarquia superior entre delegados e superintendentes.
Uma área que precisa de contenção nos dispêndios é a da Educação, mormente no que diz respeito ao pessoal como se viu quando o governo, pela quebra de caixa, decidiu impedir o adiantamento das férias e a uma reação mínima da liderança do professorado recuou. E quem assume a pasta não é um conciliador como o atual ocupante, Flávio Arns, mas um executivo testado em órgãos federais mormente os da telefonia, Fernando Xavier Ferreira, e pode transferir ações de parachoque em torno de salários e disponibilidade orçamentária a Mauro Ricardo Costa, o dono da chave do cofre, do qual todos sabem não haverá um sim como tem sido, mas um não redondo e categórico, se é que a coisa é para valer e não uma encenação.
A mudança depende de uma só pessoa, o governador de quem se espera um maior comando e menor contemplação, como se nem a hipótese do incêndio e do terremoto o despertasse para a ação, provocado pelo peso da herança que ele próprio deixou com sua marca testamental.
Mal habituados
Motoristas e cobradores vivem um momento novo, já que agora as suas relações com as concessionárias perderam aquele caráter acordado e pactual para uma situação de permanente conflito. E isso ficou patente com a desnecessária e violenta manifestação de ontem com a suspensão do funcionamento do sistema por duas horas ainda em protesto pela demora do pagamento de parcelas do 13% acatadas pela Justiça e não pagas pelas empresas. O ''barraco'' rendeu agressões e exige da autoridade uma nova postura em relação ao assunto: acertar direitinho, nos choques suspeitos entre Urbs e Comec (jogo de empurra para fugir ao pagamento), a satisfação dos compromissos com os trabalhadores. Com isso se fará a metade do caminho para impedir os transbordamentos sindicais como os havidos na Praça Rui Barbosa, deploráveis e desnecessários.
Nanismo
A oposição no Paraná, necessária como nunca, se tornou nanica, mínima, como há muito não se via. Como fortalecê-la e fazer de cada um uma legião na quadra atual? Essa é a indagação que deve ser feita até para que partidos como o PT e o PMDB definam um papel comum nessa correlação desigual. Já se viu também que qualquer pregação moralista será respondida em cima do petrolão. Resta confiar na Justiça, mas aí tudo complica novamente porque a cultura da cordialidade permanente imobiliza os outros poderes e do Ministério Público resta espera algo que parta do Gaeco em suas rotinas.
Folclore
O que é mais eficaz: uma ação de cumprimento na Justiça ou berreiro na praça para sugerir rebelião? Se a inadimplência contumaz da Urbs e Comec é que peita o Judiciário, urge demonstrá-lo e esperar que as decisões judiciais afinal sejam devidamente cumpridas.





