Em tempos recentes a quebra é dissimulada, como se viu agora com Beto Richa na sequência de gestões gastadoras como as duas de Lerner e de Requião.



Confronto pedagógico

O Paraná viveu, certamente, momentos de quebra, um deles em 1938 sob Manoel Ribas em que os credores das ferrovias de Guarapuava e Curitiba-Rio Branco, mais o empréstimo vencido do Banco do Brasil assediavam o governo como também em períodos subsequentes ao cracking da Bolsa em 1929. Também no segundo governo Lupion tivemos atrasos até do pagamento do funcionalismo estadual, o que não impedia o presidente da Associação Comercial, Oscar Schrape Sobrinho, de pregar o não pagamento de impostos sob o fundamento de que havia corrupção demais no governo. Em tempos recentes a quebra é dissimulada, como se viu agora com Beto Richa na sequência de gestões gastadoras como as duas de Lerner e de Requião.

O sistema interno de controles não funcionou, ainda que o Tribunal de Contas tenha aprovado com as tradicionais restrições as contas ano a ano e advertido para o estouro com gastos de pessoal e o não cumprimento dos 12% orçamentários com saúde. A crise atual, que para os governistas inexiste já que se recusam a abandonar a prodigalidade (e estão aí as untuosas e desnecessárias secretarias para provê-la), estrutural, orgânica, não foi detectada pelo auditor Mauro Ricardo Costa, futuro secretário da Fazenda, na medida em que não percebeu que a origem de tudo é a despesa e não a manutenção do ciclo vicioso de tentar enfrentá-la pelo aumento da receita.

Beto Richa já tinha maioria folgada e que fica mais desequilibrada ainda a partir de janeiro e faltou-lhe estatura para enfrentar o problema de maneira correta. Ney Braga, em 1961, com minoria parlamentar, conseguiu o apoio do PTB para a virada com a criação do Fundo de Desenvolvimento com uma percentagem em cima do então Imposto de Vendas e Consignações, IVC, que geraria a Codepar, Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná, e que investiria pesado na infraestrutura pública e, num passo seguinte, financiaria a produção.

Tirando a hidrelétrica do Tibagi não há uma obra relevante nos últimos anos e uma gritante falta de planos integrados para resolver as questões do porto, das rodovias e ferrovias. Como é que um governo, que não tem obras, quebra desse jeito? Gastos em excesso especialmente em pessoal e ausência de projeto que amarre essas demandas.

Além de tudo hoje há uma recessão e a terapia indicada no tarifaço servirá de breque para as atividades econômicas na questão primária dos custos como fator inibidor de primeira grandeza.

Vantagens não exploradas

Vantagens de natureza política, que não favoreciam Ney Braga e sobram para Beto Richa, de pouco adiantam se não há o sentido clânico em cima de um projeto (isso não existe hoje por maior boa vontade que se adote) capaz de unir a sociedade na visão e certeza da transformação. É verdade que Ney fez uso de malícia quando, por exemplo, tentou assumir como sua a estrada Curitiba-Ponta Grossa que Airton Cornelsen, o Lolô, deixara praticamente pronta, o que fazia parte de um clima positivo. Outra coisa impensável, dado o paternalismo do atual governador, seria um corte cirúrgico no funcionalismo como Ney Braga fez: aplicou-o em mais de 10 mil dispensáveis e depois reconvocou 30% deles seguindo a máxima de Maquiavel: a dureza de imediato, de choque, e o agrado em doses homeopáticas.

Se o governador der a carta branca para Mauro Ricardo Costa na questão mais delicada, que é a do dispêndio com pessoal, terá que mudar de estilo como o adotado com o professorado que ganhou praticamente tudo o que pretendeu, isso sem falar que em cima da eleição deu treze reajustes a grupos funcionais.

Como faz um governo clientelista dificilmente aguentará, já que pretende seguir a carreira provavelmente como senador, as pressões de grupos cada vez mais organizados para as reivindicações. O pior é que aumentando a receita nem assim fará investimentos. A taxa histórica é inferior aos imaginários 10% apontados pelo futuro secretário como ideais.

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