LUIZ GERALDO MAZZA
Mais pacote
Como nem todo o pacote de maldades foi aprovado e o tempo é curtíssimo, até porque temos a diplomação dos eleitos no meio da semana, urge acertar tudo nos dias 15 e 16, no sufoco, aliás ao estilo exato de um governante que perdeu a noção de que o prever vem antes do prover. Filosoficamente, é coerente, com o caos já que subverteu os polos da crise, ao ocupar-se com aumento da receita em lugar de cuidar da despesa incontrolável.
Matérias essas, tanto as já aprovadas como aquelas a aprovar (a que entrega à repressão o cuidado com as penitenciárias e as que tratam de questões ligadas ao Poder Judiciário), todas merecedoras de concentração absoluta, vão para a votação sem tempo para ouvir todas as áreas interessadas na base do trator. Nem nos anos de chumbo se agia dessa forma, o que restaura o tema de que uma democracia pode ser tão mutante que assume jeitão de ditadura tal o nível de opressão contra as maiorias, visível nessa forma de agir.
Orgulhamo-nos de viver hoje num regime de opinião pública (e tanto que se sabe agora do tipo de consultoria que Zé Dirceu prestava a megaempreiteiras e também do apartamento de luxo de Lula na praia santista) e quem a desrespeita, como se dá no caso paranaense, pratica uma forma de tirania, já que o Poder Legislativo opera como apêndice do Executivo, tudo ratifica, nada retifica.
Como é que matéria tão delicada como essa que transfere o Departamento de Execução Penal (Depen) para a Segurança, de alta indagação filosófica, é colocada num bolo com a ordem expressa de discutir menos e aprová-la mais depressa? Vence a doutrina do porrete contra a da humanização que se buscava justamente no campo da Secretaria de Justiça encarregada da reinserção social dos presos e constrói-se um diagrama em que aqueles que prendem podem acumular a função possível de carrascos fora dos padrões de toda a doutrina penal aquela que levou Pedro Dorado Montero a fazer desse campo do Direito o da proteção dos criminosos.
Glória
De vez em quando um dos nossos transborda em seus feitos: o jornalista Caco de Paula, figura da terra, é o atual presidente do Comitê Brasileiro do Pacto Global, órgão da ONU. No momento atua no Peru em função dessas atividades.
Foz de novo
Outro dia houve aquela hipótese, felizmente falsa, de um caso de ebola em Foz do Iguaçu. Agora é o de um suspeito de shikungunya, oriundo da Venezuela.
Catilinária
A denúncia só da área de abastecimento da Petrobras, mostrada ontem pelo Ministério Público Federal, há desvio de R$ 1 bilhão, perto de R$ 300 milhões a cargo do Paulinho.
Capitanias
Há instituições nossas de origem no Brasil colônia, uma delas o patrimonialismo. Exemplo marcante é o ICI, Instituto Curitiba de Informática, do qual a prefeitura é refém. Ainda agora o Refis teve que ser adiado porque o sistema de engenharia tinha um crédito de R$ 15 milhões. Aliás o nosso burgomestre é todo o dia cobrado por alguém. Herança da gestão de Cassio Taniguchi. A cidade fica sem dados porque esse monopólio que poderia ser público é de um grupo privado e há ordens que mantêm tudo assim sem chio, nem análise. Algo que lembra capitanias donatárias e hereditárias.
Youssef
Novamente hospitalizado o delator-mor das sacanagens da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef. Um paranaense, seu amigo, André Vargas já dançou. Outros estão na fila, inclusive aquele que influiu no arquivamento da primeira CPI.
Folclore
O público urrou a palavra vergonha das galerias por conta do tarifaço. Bem pior, embora programado, o relatório final da CPMI da Petrobras que não enquadrou ninguém. Distância cósmica e cômica da CPI do mensalão.





