LUIZ GERALDO MAZZA
Costas quentes
Beto Richa não quer partilhar os ônus do tarifaço e afirma, categoricamente, que tudo se deve ao Mauro Ricardo Costa que veio para salvar-nos da crise fiscal e avalizou tudo, inclusive o impacto das medidas num quadro recessivo e também a sua não absorção pacífica por parte dos contribuintes. Assim o governador se preserva, ao menos parcialmente, mas perde também o direito de celebrar como sua a vitória anunciada previamente do processo.
Se o governo atribui tudo ao novo secretário (o que é difícil de aceitar, uma vez que o tempo tem sido curto para um diagnóstico adequado e muito mais ainda para uma terapia tida como exitosa de saída), o certo é que o salvador também fez concessões e se mostrou cordato por exemplo com o gigantismo estatal e sua notória ineficiência. Assim deu à despesa, fator primordial de tudo, um peso menor para justificar a saída pela área da receita.
Entre as críticas que fez alcançou o emaranhado da legislação, o que já lhe rendeu as primeiras restrições da área técnica e acadêmica. Olhado como um demiurgo, tantos foram os elogios à sua pessoa por parte do senador José Serra que o indicou, esses fatores começam a lembrar aquela pedra no caminho a que se refere o poema de Carlos Drummond de Andrade, que pode ser um acidente e não o corte epistemológico pretendido, promessa de uma nova era e de uma cornucópia lançando seus frutos e repetindo aqui o conquistado em Salvador.
Quem levou supostas vantagens de tudo foi a oposição, que agora ainda tem alguma consistência, mas que em janeiro ficará atrofiada num nanismo a que foi condenada nas urnas. E se viveu um momento de prestígio ao expressar a resistência da sociedade, sabe que terá dificuldades extremas para exercer o seu papel diante da maioria esmagadora governista. Pode, no entanto, em decorrência do problema vivido, perceber que sua missão será a de interpretar as razões da maioria oprimida, pois o quadro que está aí é para uma ditadura dissimulada como se viu tanto no tarifaço como na armação do tratoraço.
Há quem entenda que há tantas inconstitucionalidades que vale questioná-las com uma Adin, posto que também o próprio Judiciário tenha ajudado a embalar o pacote com a mexida significativa nas custas judiciais.
Cassado
André Vargas cassado por 359 votos, menos um e mais seis abstenções era para o PT uma espécie de cadáver insepulto: a forma como o partido, desde o início, reagiu até empenhado na sua expulsão não é bem um exercício de caráter, mas de pânico por se ver envolvido em algo bem maior do que o mensalão. O fato é que o Paraná não é apenas o palco do processamento e julgamento do propinoduto da Petrobras: daqui são os atores principais como Youssef e Paulo Roberto Costa, em cujo elenco Vargas é personagem menor, mas também a força-tarefa da Polícia Federal e do Ministério Público e a figura dominante do juiz Sérgio Moro. Há ainda o misterioso personagem de Londrina, beneficiário da trama que favoreceu o falecido Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB.
Mistério
Um vereador de Curitiba e sua esposa tiveram sua condenação por crime de improbidade pelo Tribunal de Justiça confirmada à unanimidade no STJ: rachavam a grana de assessores na Câmara Municipal. Protegidos pelo sigilo dão margem a especulações porque anteriormente só havia um caso de delito igual com o ex-vereador Custódio que pegou vários dias de cana. Por sinal que o hábito é comuníssimo em várias câmaras e assembleias e o acerto é feito sob ameaça parlamentar.
Folclore
Seguidas vezes a Prefeitura de Curitiba mostrou desconhecimento do seu subsolo, mas assim mesmo, além do programado metrô, temos agora o projeto da retirada da fiação aérea para o subterrâneo. No Cabral, engenheiros não sabiam da existência do Rio Juvevê e agora tentam pela quarta vez a reconstituição do asfalto da canaleta do biarticulado prejudicado pela água.





