Luiz Geraldo Mazza
O adventício
Mauro Ricardo Costa é a bola da vez, a resistência de setores da sociedade ao adventício, ao ''importado''. Ele vem com as características de um demiurgo, uma cruza, como já se disse, do Antonio Conselheiro com o Padre Cícero, tal o rolo que sucessivas gestões de Lerner para cá mais a de Beto Richa deixaram com o estouro do caixa.
O Paraná é a terra do adventício por natureza: seu primeiro governador, o baiano Zacarias de Goes e Vasconcelos, era também um deles. E, pelo jeito, ninguém o superou como expressão política, já que além de gerir três unidades federativas e passar pelo Ministério da Marinha foi presidente do Conselho de Ministros, quase uma espécie de premiê.
Até aqui disse o óbvio que o Estado quebrou porque a receita subia pela escada e a despesa pelo elevador. Estava dirigindo em Salvador um núcleo mais singelo do que os da prefeitura e do governo estadual de São Paulo, olho do furacão da economia brasileira. E foi em função dessas passagens paulistas que José Serra vinha indicando o seu nome para Beto Richa.
Para o estilo de compadrio da praça, na sua forma de contornar conflitos, é até interessante que venha alguém, com essa postura de salvador, e que Beto Richa o respeite assumindo, o que não fez até agora, o comando da administração, não em picaretagens como o tal Conselho de Gestão, mas se mantendo atento a tudo o que ocorre para não se espantar com os reajustes salariais da Defensoria, como se não fosse obrigação eminentemente sua sabê-lo ou ficar perplexo com as cabeçadas da Segurança. O núcleo-chave é a Fazenda, mas não o único já que as fontes dos desperdícios são inúmeras.
A questão do adventício chegou às redes sociais e deu para lembrar casos já ocorridos de importação como Francisco Simeão ao convocar técnicos da Vale do Rio Doce, um dos quais, seu diretor-geral, era primo do Drummond de Andrade; a convocação de Lineu Klupel, ponta-grossense com carreira fora do Paraná, para a pasta fazendária com Leon Perez. Curioso é lembrar que outro ponta-grossense, Manoel Ribas, vindo do Rio Grande do Sul onde administrava uma cooperativa, designado interventor por ordem de Getúlio Vargas era olhado como gaúcho, tal qual Fernando Flores, que veio também para compor a equipe.
É preciso um secretário para conter o governo e, esse para exercer tão espinhosa tarefa, deve contar com um mínimo de participação do governador e não apenas no palanque eleitoral , fazendo algo desagradável ao seu estilo que é conter os hormônios da rapaziada, seus supostos liderados.
Crise
A greve matinal dos metalúrgicos da Volvo, envolvendo três mil trabalhadores, não foi surpresa para seus executivos porque era uma resposta, máscula, à notícia da demissão de mais 200 dos seus funcionários. O setor automotivo está sob reengenharia: férias forçadas, programas de demissão voluntária, enfim sinais da recessão num setor até há pouco privilegiado com tantos subsídios, desoneração de folhas de pagamento, etc.
Pressão
Não sensibilizaram o governo as reações do patronato e dos trabalhadores contra o tarifaço, como se viu ontem na Assembleia Legislativa. Valdir Rossoni não ousou expulsar do recinto manifestantes até pela envergadura da matéria que se discutia e pela repercussão que geraria. O exercício da obstrução parlamentar é única arma disponível em situações de tratoraço, com tonalidade fascistoide.
Folclore
Mauro Ricardo Costa, antes de agir, pois só será secretário da Fazenda depois da nova posse de Beto Richa, já ganhou um apelido ''Maurinho Malvadeza'., Isso também se deu com um interventor do Banco Central, Heitor Lamounier, no Banestado ante uma falha de sua mediação que chamaram de ''lamumunha''.





