LUIZ GERALDO MAZZA
Retirada confusa
Diante das repercussões havidas quanto aos efeitos deletérios do tarifaço, o governo retirou do pacote a parte tributária, o que diz respeito a ICMS e IPVA, para reexame. Não é uma indecisão final, já que hoje mesmo o estafe reapresentará o pacote recauchutado, conquanto sem a certeza de que se trata da versão final. É a síndrome de Jerry Lewis em pleno vigor.
Conceitualmente, o governo faz uma leitura distorcida da realidade: o problema financeiro estadual não é na receita que cresce acima da inflação e sim na despesa que se eleva em progressão geométrica, enquanto a arrecadação se dá em progressão aritmética. Essa evidência deveria ser mostrada nos números fazendários ao futuro secretário da área, o auditor Mauro Ricardo Costa, para que não houvesse desvio conceitual tão básico. E fosse captado esse detalhe operacional: o que precisa cair e, de forma considerável, é a despesa. Que tal essa equipe de trapalhões reexaminar a hipótese de diminuir drasticamente o número de secretarias, economia profunda de espaço e de gente, e implantar internamente a cultura da sobriedade, da austeridade?
O afogadilho é o estilo da turma e não sabemos qual surpresa nos reserva ainda hoje com o remendo no pacote. Se o novo secretário, que se deu tão bem em Salvador e São Paulo, e foi até recomendado a Beto Richa por José Serra, tiver todo o know alegado deve estar espantado diante de tanta mediocridade e ausência de senso de decisão. A retirada é falsa como quase tudo nas ações de governo.
Repete-se aí algo semelhante com a Loucademia de Polícia no caso da menina Tainá de Colombo ou ainda aquela outra, mais ridícula e afrontosa, da invasão da suposta mansão protegida por policiais encapuzados. Pior do que a tensão da perplexidade é a patetice traduzida em doutrina e ação de governo. Só que no caso há muitos mais do que o trio famoso de Hollywood.
Força
Na Comissão de Constituição e Justiça o governo fez questão de se mostrar determinado na taxação dos aposentados. Ocorre que aí também o problema é da sua culpa que não repassa a sua parte obrigatória no sistema de previdência e coloca a capitalização da ParanaPrevidência sob risco. Sabe-se que há uma defasagem de bilhões por esse motivo e que ameaçam sua existência, apesar daqueles aportes que Lerner obteve da binacional Itaipu na antecipação dos royalties devidos, graças aos esforços de Euclides Scalco.
Pressão
Teremos, agora, o exercício de pressão por parte das áreas afetadas pelo pacote do governo Beto Richa: uns se valerão de estilos diplomáticos, mas outros irão para o grito. Quanto mais inabilidade, menor força moral terá o governo para a tarefa de persuadir o contribuinte.
Capilar
O juiz Sérgio Moro entende que a corrupção é capilar e não se limita à Petrobras atingindo outras 750 obras públicas, isso só na infraestrutura, conforme a lista apreendida com Youssef. Num despacho em que negou a revogação das prisões preventivas de dois empresários fez referência ao fato de que as fraudes e desvios vão além da maior estatal brasileira.
Táxi
A Fomento Paraná celebra esta semana em Londrina o milésimo financiamento de táxis. O maior número deles foi na capital. Por sinal que o mercado melhorou, estava péssimo até 25 de novembro. Apesar do aumento da frota, há muita espera ainda, prova de que a decisão funcionou ao menos em parte.
Folclore
A música mais adequada para o bate-cabeça do governo em relação ao pacote tarifário seria uma bem tradicional dos jogos infantis e dos brinquedos de roda; Escravos de Jó// jogavam caxangá// ponha, tira, deixa ficar// guerreiro com guerreiro// fazem zigue zigue zá//.





