Aturdimento passageiro
Em declarações a uma rádio, CBN-Curitiba, ao tomar conhecimento dos efeitos do tarifaço no cotidiano dos cidadãos, o governador Beto Richa se mostrou aturdido e de tal forma surpreso que admitiu a possibilidade de uma revisão. Não é a primeira vez e, por certo, não será a última em que o nosso governador se mostra indeciso, mais para Jerry Lewis do que para Hamlet, pois já tivemos até pedidos de devolução de mensagens ao Legislativo.
Ora, é elementar que um assunto dessa gravidade que mexe com a economia e impacta os orçamentos familiares (estímulos em produtos da cesta básica no caso removidos e com elevação de respectivas alíquotas) deveria ser analisado com microscópio e apreciado ainda como fator possível de aumento da recessão em que estamos mergulhados, portanto, gerador de deseconomia.
Embora, verdadeiro, o fato de que o governo carece de um empuxe fiscal (e isso se repete com a União e os municípios, como se vê), haveria a recomendação de que tudo fosse submetido a uma dosimetria cautelar visando evitar que o remédio administrado não botasse o paciente em coma.
Espera-se que o alertamento das organizações classistas da produção e do trabalho para consequências tão funestas seja levado em conta e encaminhe tudo para uma revisão como o próprio governador, ainda aturdido, admitiu.

Arregimentação
Setores do trabalho (sindicatos, APP, centrais) e os do patronato (Fiep, Faep, Associação Comercial, Federação do Comércio) vão trombar de frente com o governo por causa do pacotaço. Bronca também contra a taxação de aposentados. Uma das assembleias públicas será na segunda-feira no plenarinho. Um dos espantos é a notícia do setor farmacêutico em que se prevê aumento geral nos remédios da ordem de 20%, o mais alto do País, com as medidas.

Folclore
Ministério Público de olho na decisão da Caixa Econômica de botar menos dinheiro nos caixas eletrônicos para dificultar a turma do dinamite. Como conciliar isso com o apelo "vem pra Caixa você também, vem"?

Inflou
O IBGE cravou 6,56% de alta inflacionária nos 12 meses até novembro em que tivemos oscilação de 0,51%.

Delação
Petrobras pleiteia na Justiça o inteiro teor das delações premiadas para orientar procedimentos internos. Por falar nisso, anteontem, no blog do senador Roberto Requião apareceu a delação do caso Banestado CC5 entregando os figurões do governo Lerner no episódio Copel-Olvepar, aliás ainda envolto em brumas, no qual o doleiro Youssef teve participação, como se sabe, destacada. Aparece o racha entre eles com tanto detalhe que dá a impressão de indicar o caminho das pedras para o PT no mensalão e congêneres.

Urgência
Apesar das reações de hostilidade e as dúvidas do próprio governador que não sabia de alguns efeitos do tarifaço, o líder do governo na Assembleia, Ademar Traiano, garante que não haverá revisão, admitida por Beto Richa na CBN, e que o pacote será aprovado na semana na base da Comissão Geral, vulgo tratoraço. Possíveis alterações seriam feitas por decreto, segundo o deputado.

Alerta
Técnicos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) faziam cálculos ontem sobre o impacto das medidas fiscais de Beto Richa na cesta básica em razão da supressão de subsídios e alteração de alíquotas do ICMS.

Mediação
Há um esforço de grupos organizados de tentar amainar os efeitos do tarifaço do governo Beto Richa, uns voltados para renegociar percentuais de tributos e outros de resistência à taxação dos aposentados, entre as hipóteses a faixa etária máxima de incidência em
70 anos, meta da "expulsória".

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