O vigor do sofisma
Há alguns tratadistas da filosofia que atribuem a Sócrates a militância mais forte e concreta contra os sofistas do seu tempo. Ocorre que o sofisma ainda prevalece e o vemos constantemente arguido e cultuado no andamento das ações da Lava Jato. Entre eles há um refrão dos apontados como beneficiários do sistema valendo-se do argumento de que suas contas foram aprovadas pelo TSE ou outra qualquer instância da Justiça Eleitoral.
O depoimento do executivo da Toyo-Setal, Augusto Mendonça Neto, mostra que parte do pagamento de propina feito ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque virou doações oficiais ao PT o que obviamente o partido nega. Se de fato houve os repasses alegados entre 2008 e 2011, temos uma situação bem curiosa em que um desvio se torna, documentalmente, legal, o que não elide a sua origem, o seu DNA. É a "legalização" da fraude.
Um dos escapismos da frente política, ora atingida por tantas denúncias, é o de que a origem de toda a corrupção está na doação de recursos de empresas no processo eleitoral e que isso seria neutralizado com uma legislação que só permitisse financiamento público das campanhas. Há, aliás, no Supremo Tribunal Federal uma convicção crescente da maioria dos ministros de que essa é uma das mais importantes correções a fazer. Nas revelações da Lava Jato há mais do que uma parceria público-privada no financiamento eleitoral.
Não apenas personagens nossos estão presentes na história como o doleiro Youssef e Paulo Roberto Costa, cuja condenação foi pedida anteontem pelo Ministério Público Federal, no caso específico da refinaria de Pernambuco, mas também a nossa unidade de Araucária, alvo igualmente de maquinações.
Há em andamento uma tentativa sistemática de transferir todo o processo para a instância superior e que impediria desdobramentos em novas etapas da até aqui bem-sucedida investigação e com um corte nas revelações. Ocorre que a defesa das empreiteiras está numa situação limite e essa transferência geraria no mínimo uma descompressão, apesar do volume de provas até aqui coletadas isso sem levar em conta as investigações em bancos europeus por autoridades locais.

Feriado
Afinal, 19 de Dezembro é feriado ou não? Para o Ministério Público do Trabalho sim, para as entidades conservadoras não. Se é ou não, se transformou na polêmica do momento, mas deveria ser e por uma razão simples: trata-se de uma reverência aquilo que mais diz respeito a nossa identidade histórica, momento da carta de alforria da província de São Paulo, de cuja ascendência nos orgulhamos. Como a diversidade marca nossa unidade - o Sudoeste-Oeste de gaúchos e catarinenses; o Norte de paulistas e mineiros e o Sul da tradição - essa celebração seria fundamental.

Metrô
A questão do metrô (assunto mal debatido) na pauta ontem do Tribunal de Contas, mas acabou não entrando nos trilhos porque o conselheiro Fernando Guimarães pediu vista do processo.

Fichário
Rapidamente apareceram coisas negativas sobre alguns dos secretários: Mauro Ricardo Costa, auditor da Receita Federal, que vai para a Fazenda, é referido no caso da máfia de fiscais de São Paulo e por responder processos na Fundação Nacional de Saúde e na Superintendência da Zona Franca de Manaus. Já Fernando Francischini, da Segurança, aparece numa gravação da Lava Jato em papo sobre Alberto Yousseff.
Rápida a informação negativa, mas havia também no caso de Cassio Taniguchi, salvo pela prescrição em duas condenações na instância superior por seis meses de prisão, o que não impediu a sua nomeação para secretário de Planejamento, embora a lesão notória à lei da ficha limpa.

Folclore
Quando Beto Richa partiu para o pacote da austeridade muita gente lembrou do Manoel Ribas apelidado de Maneco Facão por ter cortado empregos e funções.

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