O chuncho é geral
Segundo o delator Paulo Roberto Costa, a malha da propina alcança portos, aeroportos, hidrelétricas, rodovias, ferrovias. O corpo do espaço público estaria, conforme o enfático depoimento, em metástase, estágio avançado da patologia celular, do qual o mais avançado seria o que se dá numa das maiores empresas do mundo e seguramente a primeira do País.
Com a generalização, algo que boa parte do público intuía, devemos ainda acrescentar ao dito a questão dos cronogramas das grandes obras condenadas, pelo seu porte e pela evidência de fatos novos, dentre eles a crise hídrica, a suspensão como a tão badalada transposição da bacia do São Francisco. Pelo menos há algo positivo: não há clima para o ufanismo triunfalista, ao qual o governo volta e meia se reporta para descomprimir o ambiente.
Percebe-se também que órgãos internos como a Controladoria Geral da União não estão muito à vontade e externos como o Tribunal de Contas da União, conforme relato do seu presidente, haviam alertado a presidência, através da Casa Civil, que eram evidentes os sinais de desvios e superfaturamento na Petrobras, o que foi feito reiteradas vezes e de forma inútil.

Oba oba
Esperava-se que com o clima de austeridade, imposto pelas circunstâncias, houvesse um breque na ‘’lua de mel com o poder’’ mas está visível com a festiva posse do "regovernador", em janeiro, com dispêndios de quase R$ 200 mil para o cerimonial, que a turma não abre mão da euforia. A fauna persistirá nos restaurantes granfos da capital a exorbitar no oba oba sibarítico. Ora uma das secretarias que deveria ser cortada é justamente a do Cerimonial ocupada pelo Ezequias Moreira para garantir o foro privilegiado no exame dos seus delitos.
O Judiciário também alegando insuficiências orçamentárias (R$ 230 milhões, apenas 6,8% superior ao deste ano) quer reajuste de 6,37% em janeiro nas custas de cartórios judiciais e extrajudiciais e aumentando receitas do Fundo de Reequipamento do Poder (Funrejus). Mais ônus para a população num momento delicado pela manutenção da chamada recessão técnica.

Resistência
A oposição conseguiu conter a marcha das propostas do governador na Comissão de Constituição e Justiça pelo menos até segunda-feira quando entrará em ação o rolo compressor governista e, depois, o ‘’tratoraço’’ para liquidar a parada. Espera-se que a Ordem dos Advogados do Brasil e mais entidades conservadoras (Fiep, Faep, Associação Comercial) se manifestem. Se reagem ao aumento do IPTU municipal se obrigam a fazê-lo também contra os ajustes do IPVA e ICMS.
Apesar da vitória eleitoral, Beto Richa não tem força moral (seu governo nada trouxe de novo) para esperar adesão como Ney Braga conseguiu em 1961 ao tocar uma ‘’revolução’’ que começava com um percentual no antigo IVC (Imposto de Vendas e Consignação que precedeu o ICMS) para criar o Fundo de Desenvolvimento e sua operadora, primeiro a Codepar (Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná), e depois o Badep, que financiariam obras públicas e investimentos privados. O acordo com o PTB que detinha maioria no Legislativo foi uma espécie de pacto de Moncloa de nossa história, inviável hoje com essas pessoas e tais circunstâncias. Caiu muito - e isso é evidente demais - a representação política, nossas lideranças enfim, e a parlamentar.
Não há uma proposta consistente e percebemos que o sacrifício imposto ao conjunto da sociedade não terá uma compensação mínima pela falta absoluta de pensamento, de ideia, de visão do Paraná de hoje e amanhã.

Folclore
A novidade anunciada no secretariado (mais sectariado) é a do auditor fiscal Mauro Ricardo que atuou na Fazenda de São Paulo e Salvador. O problema não é esse, mas o da falta de comando do governador: se a tivesse, certamente, não chegaríamos ao atoleiro atual.

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