LUIZ GERALDO MAZZA
Em troca do quê?
A vitória de Beto Richa na eleição deveria, pelo fato da precariedade dos seus feitos administrativos, ser um motivo de inclinação à humildade e não à soberba. Pois identificada a crise que seu governo, não o único, mas seguramente o último, gerou tenta recorrer a um poder de manipulação do orçamento que reduz ao nanismo o Poder Legislativo, já atrofiado brutalmente em sua composição pelos resultados eleitorais, e com isso implanta uma ditadura alternativa, da qual desfrutava na gestão anterior.
Além de ampliar a faixa de manipulação da Lei de Meios dos 5% atuais para 15% cogita reajustar tributos, esforço a que todos os níveis de governo irão recorrer por força da crise, o que é um passo para a tirania, uma vez que, por ter feito muito pouco na primeira gestão (40% no máximo do prometido), nada indica que dará reciprocidade ao que pede de sacrifícios à sociedade. Mais uma razão para a humildade, calçar as sandálias franciscanas, e não erigir-se a uma condição de potentado que paira acima de todas as coisas.
Foi preciso chegar ao fundo do poço para admitir a crise fiscal que vem matando desde Lerner o modelo financeiro que tanto nos favorecia: ao transformar a ânsia pelos empréstimos, vetados pela Secretaria do Tesouro Nacional por infração à Lei de Responsabilidade Fiscal, em bandeira eleitoral tentou e, de certa forma, conseguiu politicamente transformar seu desempenho negativo em mérito, enganando a população que tinha dificuldade em decodificar o tema ante a acusação genérica de perseguição da União.
Imperioso que a sociedade organizada (entidades que representam a produção e o trabalho na condição genérica de contribuintes) cobre do governador ao menos o compromisso: se persiste em gastar mais do que arrecada, se tem ao menos um projeto para justificar tanta pretensão que rompe o equilíbrio democrático e nos condena à mesmice, sem um mínimo sinal de reversão. Se nada vai mudar, resta-nos o pensamento do Tiririca de que pior não fica. Será?
Ações de governo como essa reclamam a comutatividade e a reciprocidade como troca e isso está muito distante.
Mensagens
Lipoaspiração limitada: dentre as 20 mensagens enviadas ao Legislativo, Beto Richa extingue apenas três secretarias, de ociosidade comprovada como muitas dentre as que permaneceram; aumenta o IPVA de 2,5% ao valor do veículo a 3,5%; corta o desconto antes anunciado. Dá perfeitamente para identificar o caos no interior do governo. Urge cortar no mínimo a metade das secretarias e sua legião de aspones ao lado da sua fome pantagruélica de prédios, muitos dos quais, alugados, estão sob ameaça de despejo judicial por falta de pagamento.
Bibinho
O Ministério Público está pedindo formalmente que a prisão do Michel Abib, o Bibinho, deixe de ser provisória para esclarecimentos em torno das novas denúncias em torno de lavagem de dinheiro com aproveitamento possível dos desvios ocorridos na Assembleia Legislativa.
Continuidade
Todo o mundo se debruça nos números do aumento da expectativa de vida na última década, fruto de continuidade de ações no campo da profilaxia, da melhor condição de higidez da maioria, portanto, feitos coletivos de vários governos e não daqueles que costumam apropriar-se deles como se fosse, única e exclusivamente obra deles. O mesmo se dá com indicadores de Desenvolvimento Humano e que apenas reforçam a tese da continuidade que ocorre em vários planos que vão das imunizações às melhoras ainda não suficientes do saneamento básico. Pena que persistam os desníveis regionais que acentuam a má condição de áreas deprimidas.
Folclore
Pelo pacote de ontem ficou demonstrado que o Paraná precisa mais de um Sassá Mutena, salvador da pátria, do que de um pagador de promessas que deve ainda boa parte das enunciadas no primeiro mandato.





