Luiz Geraldo Mazza
Sem ministérios
Uma das reflexões mais comuns, nos dias atuais, é se o Paraná continuará a ter ministros na equipe da presidente reeleita, Dilma Rousseff. Antes de tudo é preciso ver se essa presença favorece o Paraná, pois foi em 1954, na onda da tragédia do suicídio de Getúlio Vargas, que voltamos a ocupar espaços no tal do primeiro escalão da República, primeiro com o cunhado de Munhoz da Rocha, Aramis Atayde na pasta da Saúde e depois com o próprio Bento na Agricultura numa articulação de aliados seus que o desejavam como candidato a vice na chapa do governo Café Filho.
O ciclo parecia promissor, mas encontrou o seu fim num pronunciamento militar da dupla Lott-Odílio Denis e que terminou com parte do ministério, dentre eles os dois paranaenses, a bordo do Minas Gerais navegando em protesto na Baía da Guanabara.
O prestígio de Munhoz da Rocha era tão alto que levou a melhor contra o titular da Fazenda, o paulista José Maria Whitaker, na reforma cambial. Após o trauma da renúncia de Jânio Quadros, em 1961, teríamos no Ministério do Trabalho, já com João Goulart, o londrinense Amauri de Oliveira e Silva e, com o solavanco seguinte de 1964, Flávio Suplicy de Lacerda, reitor da Universidade Federal, ocuparia a Educação e entre os atos repressivos firmaria o 477 de interferência nos diretórios estudantis.
De um modo geral, nos casos citados, vimos que nossos ministros agiram mais em função de fatores nacionais como, aliás, se deu agora com os paranaenses nas gestões Lula e Dilma. E isso é tanto verdade que aqueles que estiveram na pasta da Educação e Saúde não moveram uma palha, por exemplo, para federalizar universidades estaduais ou ao menos garantir que verbas federais pagassem o pessoal do Hospital de Clínicas. E tivemos nada menos de seis, três na Saúde, três na Educação: Flávio Lacerda, Ney Braga e Euro Brandão. Os da Saúde foram Aramis Ataíde, Borges da Silveira e Alceni Guerra.
Introversão demais
Um ministro gaúcho da Educação, Tarso Dutra, numa tacada federalizou todas as universidades estaduais do Rio Grande do Sul. Outras mediações foram feitas em Minas Gerais e os nossos ministros seguiram desligados de reivindicações locais. Pode-se dizer que no período Lula-Dilma se deu o mesmo, ainda que poucos tivessem expressão nacional como a de Karlos Rischbieter na Fazenda no governo João Figueiredo. Dá a impressão que cuidar de interesses regionais, da aldeia, enfim, constituir-se-ia em ação menor e subalterna.
Dos raros que tiraram partido, Affonso Camargo mostrou essa envergadura como ministro de Sarney na área de transportes consolidando Ponta Grossa como eixo rodoferroviário nas obras lá desenvolvidas e outra marca foi a de criador do vale-transporte.
O Paraná não perdeu sua capacidade de fazer obras quando reclamava da ausência na partilha da União: grandes empreendimentos rodoferroviários, de telecomunicações e de hidrelétricas eram a sua presença forte, algo que há muito não acontece. Havia moral, portanto, e de sobra, para chiar.
Há arquétipos já batidos pelo uso para explicar esse distanciamento do imediato, um deles o da introversão. Agora com as ações do doleiro Alberto Youssef -e isso desde a CC5-Banestado- e mais de outro concidadão o Paulo Roberto Costa, desnudamos o véu da timidez ao mesmo tempo em que gente da terra se destaca no polo oposto como o juiz federal Sergio Moro e já desde o evento do ''mensalão'' as posturas do Procurador da República, Antonio Fernando de Sousa, do relator da CPI respectiva, Omar Serraglio e do Gustavo Fruet.
Com o petrolão, que pode ditar novos rumos à República, se é que a temos, tão deturpada pelo patrimonialismo, o País se voltou ao Paraná no espetáculo de considerável parte do PIB nacional nas malhas processuais e originalmente na cadeia, o que pode ser um sinal de nova ilusão de mudança comportamental que se acreditava ocorrer com o mensalão e não aconteceu.
Há, portanto, ações magisteriais que independem de ministérios.





