Delação imaginária
Prenderam Michel Abib, o Bibinho, em Brasília junto com o administrador de suas fazendas. O pedido de prisão agora é relativo à lavagem de dinheiro. A versão processual, típica das cordialidades da praça, o coloca na condição de único operador dos chunchos da Assembleia com mais os funcionários que o auxiliavam. Acreditar nessa versão é coisa de Pedro Bó, pois é inaceitável que sozinho deitasse e rolasse naquelas manipulações sem que nenhum componente da Comissão Executiva - e de mais de uma legislatura - tivesse a menor noção do que ocorria e isso em décadas.
Como ele assume essa estranha versão em que um diretor funcional se sobrepõe à hierarquia (os vários integrantes da Executiva), há calma e tranquilidade para aqueles que, no mínimo, pela omissão deveriam ser enquadrados pelo delito menor da prevaricação. A ação do Gaeco, articulada com setores do MP de outras unidades federativas, incluindo a de Brasília, para prender Bibinho pode mudar o rumo das interpretações até aqui consolidadas.
Obviamente, ele jamais, pelo grau de confiança que desfrutava, apelaria para o recurso da delação premiada até porque a sua idade avançada já o favorece em termos penais sem esse tipo de constrangimento. Dá, todavia, para imaginar se tal fosse aventado como ficariam os deputados que, ao longo do tempo, ocuparam posições na Executiva, principalmente, os que se situavam nos postos de presidente e secretário. Não é aceitável que em operações como a Gafanhoto (mais de oitenta parlamentares de várias legislatura referidos) e a mais recente dos ''Diários Secretos'' não haja evidências de algum tipo de participação parlamentar. Nem é o que se captava nos vazamentos de informações relativas ao caso como, por exemplo, na história do morador de Palmeira que teve a inscrição rejeitada num plano habitacional pela informação do Imposto de Renda de que ganhava demais para figurar na fila da Cohab. Esse ''ganho'' era decorrente da manipulação com registros pessoais, o que se fez, de forma sistêmica, com pessoas humildes.
Atribuir tudo à engenhosidade do diretor administrativo do Legislativo é dar-lhe uma dimensão de Doutor Silvana ou de um gênio do mal como o Doutor No nos conflitos com 007, cenário apropriado a histórias em quadrinhos. Num momento como o proporcionado pela ''Lava Jato'', depois da saga do mensalão, é de esperar-se algo à altura dessa nova cultura que precisa enraizar-se para melhorar o Brasil e suas instituições.

Gafanhoto
Um dado curioso foi a notícia da sentença indenizatória aplicada por um juiz no ex-deputado Moisés Leônidas em função da operação gafanhoto, aquela que ficou amarrada quase uma década por causa de indiciados que tinham foro especial por sua condição de deputados federais (entre eles Barbosa Neto originariamente estadual como Hidekazu Takaiama). A parte criminal foi tida como prescrita e a indenizatória era relativa a ressarcimentos do erário.

Demissão em massa
O Hospital Evangélico da capital, depois de retomar atendimentos de emergência, decidiu, em função da crise endêmica que enfrenta, demitir 250 funcionários. Mais um capítulo de um drama que permeia todo o país: as deficiências da saúde e que se revelam mais no pronto atendimento como o noticiário o revela diariamente.

Privilégio
Na origem etimológica de privilégio o conceito latino de ''priva lex'', lei privada, Vimos agora a sua aplicação seletiva pelo governador no caso do corte na antecipação de férias, excluindo os professores (que no mínimo aprontariam uma greve) dessa restrição. Para os que pressionam, o apoio; para outros, o resto, a força da lei, mesmo quando discutível em seus fundamentos.

Folclore
Alan Kardec fez jus ao nome ao bater o primeiro pênalti do São Paulo ao escorregar e mandar a bola ao espaço sideral: um erro totalmente espírita.

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