O corte errado
Além das mudanças no orçamento (R$ 90 milhões da Defensoria mais a liberdade para movimentar 15% do total), o governo Beto Richa anunciou o corte do adiantamento, um terço, das férias, muito comum a essa época do ano. Todo esse esforço visa deixar incólume o pagamento das três folhas do funcionalismo e que alcança R$ 4 bilhões num espaço de menos de um mês, conforme a praxe.
Esse corte emergencial é um band-aid, um esparadrapo, nas contas públicas porque o governador se recusa a reduzir as dimensões do Estado para manter aquietada a base aliada. Adiposa e flatulenta, incapaz por método de autogerir-se, a máquina pública está a impor uma lipoaspiração capaz de enxugá-la de pelo menos dois terços das pastas, muitas delas gerando paralelismos e também superposições, isso sem falar no desperdício.
O modelo de gestão financeira, que começa a diluir-se com Lerner (basta lembrar o acúmulo de funções de Ingo Hubert na Fazenda e direção da Copel), estraçalhou-se com Requião e seu sucessor e se assentava, em passado distante, na sincronia entre o Planejamento e a área financeira. Ao longo do tempo, o Planejamento perdeu suas rotinas de estudos tanto no núcleo-chave como nos setores descentralizados da pasta e a Fazenda passou a ter problemas de programação, cada vez mais intrincados, e que aumentaram com os recentes empréstimos e transferências da União.
A arrecadação se desenvolve em progressão aritmética e a despesa num ritmo geométrico, tal qual se percebe agora na ideia inclusive de atrair um novo gestor fazendário, uma espécie de demiúrgo, da Bahia, para botar ordem no caos quando se sabe que a causa de tudo é o próprio governador perdido em ambiguidades e sem mostrar um mínimo de poder de comando para arregimentar e acumular energia da equipe, apesar das encenações ridículas como os tais contratos de gestão, mero espetáculo para simular um ativismo inexistente e justificar aspones.
Um corte significativo nas secretarias geraria economia exponencial e isso não apenas em equipes e respectivos estafes como também em edificações. Por sinal que a fome é alimentada quando se transfere da Junta Comercial uma área no Centro Cívico para abrigar uma nova sede para a Procuradoria da Justiça ou ainda em operações estranhas, e até contestadas judicialmente, como a da transformação de um hotel cinco estrelas para abrigar a Procuradoria Geral. E nesse particular há ainda as novas sedes de instâncias do Judiciário e das numerosas locações a várias secretarias, algumas da Segurança ameaçadas por ações de despejo.

Silêncio
Bom juiz de futebol é aquele que não aparece. O ex-deputado Neivo Beraldin tem uma ação de tal forma discreta na Superintendência do Trabalho e do Emprego que foi uma surpresa a manifestação de ontem dos fiscais da área contra suas interferências políticas nas ações de monitoramento.

No 1º grau
Com a decisão do Procurador-Geral da República, Janot Pacheco, de invocar o foro privilegiado de políticos para julgamento no STF, o que tem mantido seu andamento na primeira instância em Curitiba tem sido a solidez dos pontos de vista, centrados em vigorosa doutrina, do juiz Sérgio Moro e que gerou o peso das denúncias com provas exuberantes contra executivos das empreiteiras e funcionários da Petrobras.

Folclore
No processo militar contra jornalistas da ‘’Última Hora’’, em 1964, houve um momento de constrangimento quando na condição de testemunha de Edésio Passos o diretor da revista ‘’Paraná em Páginas’’, Cândido Gomes Chagas, mostrou uma cópia de cheque do governo estadual (assinado pelo então ministro Flávio Suplicy de Lacerda) pagando matéria sobre os incêndios florestais.
‘’Se esses jornalistas sofrem processo militar por subversão, em que posição fica o governo Ney Braga que financia o jornal?’’ Candinho provocou mais um choque entre ‘’pombos’’ e ‘’falcões’’ do regime.

Notificação
A Cavo notificou, pela segunda vez, a prefeitura da capital de uma dívida de R$ 80 milhões na limpeza pública.

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