LUIZ GERALDO MAZZA
O roto e o remendado
No plano nacional o PSDB, como principal partido de oposição, tenta o máximo de resistência à pretendida manipulação das contas públicas para maquiar a quebra. Valeu-se, inclusive, da obstrução parlamentar para fazer valer o seu ponto de vista, mas ironicamente copiou tal procedimento regionalmente ao mexer no orçamento e modificá-lo para vigência em 2015: suprimiu por exemplo R$ 90 milhões do orçamento da Defensoria Pública e alterou profundamente o seu poder de manipular a Lei de Meios, antes limitado a 5% do total e agora elevando-o a 15%. A sangria na Defensoria tem um leve jeito de retaliação, e a liberdade pretendida de manipulação em três vezes mais do tolerado é reveladora do caos imperante.
Mexer no monstro adiposo e ineficiente de um Estado em elefantíase, caminho aconselhável, exige coragem demais e disposição ao sacrifício, isso também incompatível com o clima de lua de mel permanente desde a outra eleição e que assim persiste, embora tudo recomende austeridade e frugalidade.
É a cena do roto a rir do remendado: enquanto no plano nacional execra o ato da presidente mexendo nas contas públicas, no plano regional repete o gesto ao seu estilo e maneira. Vale-se, é claro, de sua vitória e dos seus na última eleição que reduziram a oposição a um estágio de dramática anorexia, agindo com extrema dose de despotismo e soberba e indicando que não mudará o rumo desastroso até aqui seguido.
Decadência
Prêmios da Mega-Sena parecem ridículos diante das propinas do petrolão. Ou baixa a propina ou aumenta o prêmio da Mega-Sena, recomenda o mercado. Como o mercado deve ficar em alta no lulopetismo, convém ouvi-lo.
Ladragata
Presa no interior Fabiana Storh Godk, a "ladragata". Mídia dá os nomes: uma delas a "trafigata", a dentista que lidava com armas e drogas, e antes o "mendigato", morador de rua que tinha sido modelo.
Selo
Um selo de qualidade e eficiência da Polícia Federal para qualificar empresas de segurança é a novidade mais recente. Não é bem a estrela da hotelaria.
Saúde
O não funcionamento do pronto-atendimento do Evangélico na capital cria sérios problemas de logística para pacientes do SUS, especialmente. Essa deficiência acaba atingindo os governos federal, estadual e municipal.
Aridez
De ano para ano a decoração natalina em Curitiba perde vigor ao mesmo tempo em que reduzem as atrações como as promovidas pela Universidade. Com os governos estadual e municipal sem dinheiro e a iniciativa privada retraída, ainda acabaremos perdendo o único destaque do calendário turístico nacional que está justamente nas celebrações natalinas e de fim de ano.
Queda
O professorado não é mais aquele em mobilizações: a fadiga do material esteve presente tanto ontem no Centro Cívico quanto anteriormente naquele protesto contra o adiamento das eleições na direção das escolas na Assembleia. O governo, atônito, aceita tudo para mostrar um fair play irreal e ilegal e fica numa guerra de informações com os grevistas sobre o número de escolas fechadas. Enquanto isso, a eficiência do ensino cai conforme os registros de avaliação: o boletim dos mestres está cada vez pior.
Folclore
Repete-se com o juiz federal Sérgio Moro o que se dava com o ministro Joaquim Barbosa em nível nacional: uma preocupação persistente em desqualificar seus procedimentos por parte dos advogados dos envolvidos. Ele já tem em sua bagagem o caso Banestado CC5, um desvio de bilhões, e agora a devassa no propinoduto da Petrobras, o maior escândalo da história pública brasileira. Mais contido que o ex-presidente do STF, mas igualmente detestado.





