LUIZ GERALDO MAZZA
O foro privilegiado
A defesa dos executivos presos na Lava Jato vai aos poucos montando uma estratégia: uma delas, já referida em três casos, é a de caracterizar a extorsão praticada por mediadores da Petrobras sob ameaça de perda de contratos e dificuldades na renovação, o célebre dá ou desce; outra é a de questionar o juiz Sérgio Moro nas menções a políticos e na sua resistência a esse fato para preservar a autoridade do STF. O ministro Teori Zavascki, a quem cabe o exame da matéria no Supremo, fez a interpelação ao juiz sobre a questão invocada por advogados.
O argumento de Sérgio Moro é o de que políticos não são investigados e sim os desvios na Petrobras. Para ele, se o desvio posteriormente foi empregado para propinas a deputados e senadores ocorreu um novo crime, o de corrupção, que não é o foco e o objeto das ações que julga.
Inclusive, casos de paranaenses como o de André Vargas, que teve a passagem de avião paga pelo doleiro, e daquele outro, também de Londrina, mas integrante do PSDB, citado como amigo de Youssef, que deu margem a um pedido de acareação entre depoentes e recusado por fugir à integridade linear do processo e criar espaços para o escapismo.
Obviamente, há em tudo isso um esforço para questionar a rigidez do julgador e tentar repetir o roteiro do mensalão que foi para o STF, respaldado por uma CPI bem mais efetiva do que a mista atual. Indispensável que a Procuradoria Geral da República, até aqui com um desempenho semelhante ao do mensalão, mas aceitando a orientação do juiz, quanto à competência, se sinta invocada também ao questionamento. A menção a políticos (e houve com André Vargas e Luiz Argôlo e mais o misterioso personagem do PSDB de Londrina) tem sido, de forma sistemática, evitada pelo juiz, o que, no entanto, se dará, mais cedo ou mais tarde. Para a base aliada, um comprometimento do PSDB, denunciado no caso de Sérgio Guerra, este para arquivar a primeira CPI da estatal em troca de R$ 10 milhões, serviria para generalizar a tese da farinha do mesmo saco também ocorrida no mensalão com o comprometimento do tucano Azeredo.
De novo
O Evangélico de Curitiba voltou a paralisar atividades no pronto-atendimento e também nas consultas eletivas. Havia falta de oxigênio, de insumos e matérias primas de um modo geral. Para evitar que a sua imagem, já desgastada por atraso em pagamentos de fornecedores, prestadores de serviço e inclusive empresas de transporte coletivo, a prefeitura da capital agiu rapidamente e mobilizou o pessoal de auditagem para demonstrar que não havia repasse de recursos do SUS atrasados.
Debate
Daqui para a frente vai ser sempre assim: aumento de qualquer tributo estadual ou municipal, no caso agora o IPTU, dará margem a audiência pública e, pelo jeito, as teremos sequencialmente, pois em que pese a recessão aos atores públicos não há alternativa se não esse ajuste de taxas e impostos. A cidade não atualiza o IPTU há dez anos com a mesma planta. O papel do empresariado é chiar e anunciar o fim do mundo.
Cultura
A Frente Acorda Cultura Curitiba não deixa por menos e quer audiência com o prefeito Gustavo Fruet para expor suas reivindicações. Acusado de não fazer os repasses do transporte e da coleta do lixo, o prefeito enfrenta essa outra prioridade, a de agradar produtores e consumidores de cultura. Como se já não bastassem as seguidas interpelações do Ministério Público.
Folclore
Na Câmara Municipal uma proposta para facilitar o carona nos carros em faixas exclusivas. Essa é uma velha fantasia da praça: a de adotar a carona nos condomínios para melhorar a mobilidade urbana e fomentar a economia solidária. Esse transporte solidário esbarra nos nossos níveis de urbanidade e não nas nossas práticas de urbanismo.





