O mito do salvador
Uma constante na política brasileira, decorrente do culto ao homem providencial, é erigir salvadores. Cunhei uma frase a respeito desse hábito: país que precisa de salvadores não merece ser salvo. Algo na linha daquilo que Galileu Galilei disse a respeito ao culto dos heróis na peça de Brecht.
Um blog da revista ‘’Época’’ noticiou que o governador paranaense estaria interessado em atrair para sua equipe o secretário de Finanças de Salvador (BA), o auditor fiscal Mauro Ricardo Costa, que já foi titular da Fazenda em Sampa e que em menos de dois anos montou a reforma fiscal da capital baiana e que gerou aumento de receita.
Na verdade, se houvesse comando no governo e Beto Richa o exercesse (dá para lembrar as palhaçadas da polícia no caso Tainá, de Colombo, e daqueles encapuzados que devassaram a mansão supostamente protegida para jogos e lenocínio) não haveria esse clima de lua de mel permanente, acentuado com a reeleição, atmosfera que impede um mínimo de reflexão e austeridade e a disposição impulsiva para a prodigalidade. Em primeiro lugar, é inviável, em recessão a caminho da depressão, mais de trinta secretarias e postos com status equivalentes. A lipoaspiração é impositiva e não é remédio, mas pura prevenção, algo como um imunizante, uma vacina.
Com a frouxidão nos controles, não há mago que resolva. Em vários momentos órgãos como o Conselho de Gestão deram ordem terminante para que não houvesse aumentos e muito menos percepção de atrasados, inclusive no caso mais duro dos professores, nada disso levado a sério. Perto da eleição e até para não cair nas suas malhas, o governo aprovou, a toque de caixa, doze aumentos entre eles o que completava o hora-atividade dos mestres, o dos agentes penitenciários, dos bombeiros. Isso aí recolocou o Paraná na transgressão ao limite prudencial da LRF, a Lei de Responsabilidade Fiscal, dos gastos com pessoal e assim permanece.
O secretário Luis Eduardo Sebastiani, que responde pela área, faz o possível para impor um senso de racionalidade como já o fizera na gestão municipal e os órgãos de controle, que dependem da vigilância do governador, andam soltos demais sem qualquer senso de programação. Basta que Beto Richa, ainda mais aureolado pela vitória eleitoral, comande o processo, nada mais. Assuma-se.

Descompromisso
Vamos nos transformar num estado de política estudantil depois daquelas intervenções de Valdir Rossoni pedindo à presidente para que nomeasse o juiz Sérgio Moro no STF ou ainda cobrando responsabilidades dela e do seu antecessor, Lula, pelo petrolão. Como inspiração baixa contamina: o Psol protocolou um pedido de impeachment do presidente da Assembleia por ter retirado à força os manifestantes do recinto.
Vivemos um ciclo de infantilidade política e cada vez ele se afirma quando nossos políticos fazem alguma intervenção ou produzem uma frase. É um total descompromisso com a realidade e a fantasia é de uma pobreza assustadora.

Distanciamento
Governador podem aparentar "distanciamento", mas não o fazem em eleição da Mesa do Legislativo. Adeptos de Ratinho Júnior acham que podem levar a melhor na disputa em fevereiro e bastou a ameaça regougada para que houvesse um pouco de distonia neurovegetativa nas hostes oficiais.

Folclore
Joubert Gonzaga Vieira, prefeito de Antonina, imitando o presidente João Figueiredo, lançou na rádio local o programa ‘’O povo e o prefeito’’ e no Dia de Finados explicou por que havia melhorado o acesso ao cemitério para que não xingassem, na ladeira, a sua ‘’santa mãezinha’’ ali sepultada.

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