LUIZ GERALDO MAZZA
Protagonismo estéril
O presidente da Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni, ainda com o halo da moralidade, e num ativismo de quem se habilita à chefia da Casa Civil, já sugeriu que a presidente Dilma nomeie o juiz federal Sérgio Moro para o STF e cobrou dela e de Lula responsabilidades pelo petrolão, tudo lembrando saque ousado de dirigente de diretório central estudantil. Mas tocou os processos dos chunchos legislativos seletivamente: nem ele e muito menos quaisquer dos membros das comissões executivas sofreram quaisquer ônus, ainda que discretamente citados nos procedimentos.
Uma linha corporativa ditou tudo em oposição aquilo que vimos no julgamento tanto do mensalão como nas diretrizes agora do petrolão: como é que aceitamos que aqueles desvios milionários de contas fantasmas puderam ocorrer sem que ao menos os dirigentes tenham sido sequer enquadrados por prevaricação? Não é crível que Michel Abib, o Bibinho, que atuava desde os tempos de AnibalCuri, na condição de diretor-geral, pudesse fazer de tudo com a omissão dos seus superiores hierárquicos no caso, especialmente dos presidentes e secretários, peças fundamentais da Comissão Executiva.
Bibinho encarou a parada e não apelou para o instrumento da moda no sentido de reduzir as penas, a delação premiada: foi colocado no julgamento e na mídia como comandante exclusivo de operação tão complexa que, ao menos em alguns dos casos, exigiria a assinatura dos senhores deputados. Recentemente, se falou na sentença aplicada ao ex-deputado Moisés Leônidas de quanto seria sua devolução em dinheiro no processo dos gafanhotos. Curiosamente não disputava a reeleição como tantos deputados, havendo a surpresa de que apenas essa referência, já em fase final de julgamento, era explícita e mais a de que no plano criminal fora beneficiado pela prescrição, o que provavelmente se dará com todos os envolvidos, instrumento que livrou Cassio Taniguchi de duas condenações, cada uma a seis meses de prisão na instância superior, o que não lhe rendeu ficha suja porque aí, como no caso do Ezequias, prevaleceu a mão abonadora e majestática do governador Beto Richa ao nomeá-los secretários.
É um convite permanente a tomar Engov esse festival de hipocrisia e exibição dissimulada de moralismo tropical.
Búrico ladrão
Nos jogos de infância, com a bola de gude, havia uma lenda gloriosa referente ao búrico ladrão, uma habilidosa torpeza que fazia as bolinhas de vidro, mesmo as preciosas olhos de boi, sumirem na vertigem do miniabismo que a nossa imaginação superdimensionava. Do que está sendo colhido na Lava Jato já se sabe, como sempre, que apenas um percentual pequeno, a não ser nos casos de negociação formal, será devolvido ao erário. Embora a rigidez da sacanagem que marca o propinoduto da Petrobras, há quem se lembre dessa reminiscência lírica para afirmar que mesmo com tudo esclarecido haverá um búrico ladrão, certamente, mais fundo que a área do pré-sal.
Reação
Não apenas o Sinduscon, da construção civil, mais a Associação Comercial, vão entrar em choque com a prefeitura da capital por causa do aumento do IPTU sob a alegação de que o quadro recessivo a desaconselharia. Ocorre que há um quadro de quebra financeira geral, tanto que a expectativa em todos os níveis de governo é de aumento de tributos. Gera depressão, é claro, mas e a saída?
O IPTU de Curitiba estava com sua planta de valores atrasada uma década.
Folclore
Graciliano Ramos era revisor do jornal Correio da Manhã e um dia não aguentou num editorial a palavra outrossim e, áspero como era, riscou-a e soltou um palavrão defensivo, um corte epistemológico: Outrossim é a pqp.





