LUIZ GERALDO MAZZA
A propina sagrada
Uma das formas clássicas de fugir a uma acusação de corrupto é generalizar as praxes das relações nos negócios públicos, como se isso colocasse uma isonomia que torna todos iguais no descumprimento da lei e da moral pela imposição de um pragmatismo sórdido, o dos chunchos, dos pequenos aos enormes como esses da Petrobras. Isso não significa a socialização da mordida, sabidamente comum em todos os níveis de governo: uma coisa é um tira tomar algum do bicheiro ou gerente do bordel ou ainda da casa de cômodos que recebe casais; outra é da cobrança não apenas do plus como a pré-condição do superfaturamento para garantir efeitos distributivos na malha produtiva.
A declaração do advogado Mário de Oliveira Filho, do lobista Fernando Baiano, no sentido de que sem acerto em obra pública não se assenta um tijolo em nosso país foi o tema dos meios de comunicação social com a esmagadora maioria o aceitando como norma não escrita, mas necessária. O Brasil está podre e se lançar água oxigenada em seu corpo necrosado ferve.
Como se vê a propina é sacralizada nos negócios públicos, o que gera o absurdo conceitual de que os que cultuam a prática não podem ser tidos como infratores e sim pessoas ajustadas a um sistema e um ordenamento com regras próprias. É que o convívio com a improbidade passa a ser imperativo. Não apenas a Petrobras é um Estado dentro do Estado, mas a despeito desse gigantismo e da apregoada competência técnica e científica, além de tudo a sua expressão de soberania nacional, é refém desse regramento o que a torna, do ponto de vista ético, uma vítima de incontornável nanismo. Roberto Campos a chamava, com sua veemência liberal, de Petrossauro para expressar algo paleontológico em sua expressão como ente público, apropriada ao convívio com faunas pré-diluvianas. No ocorrido, fica-lhe melhor assentada a condição de formas biológicas ainda mais primitivas como a das amebas.
Obviamente essa facilitação dos negócios não é de hoje, e uma das vítimas de tudo isso foi o jornalista Paulo Francis que, consciente da retidão da justiça americana no caso dos seus ataques, precários em provas contra os diretores da empresa, morreu na ansiedade de um julgamento milionário em indenizações e que o condenaria. Essa a razão do temor de que entidades americanas na defesa da retidão do mercado acionário, onde a Petrobras tem boa presença, ferrem nossa maior empresa em seu julgamento no processo ora em andamento naquele país.
Rotinas
Além dos estouros de caixas eletrônicos acentua-se outra rotina da deficiência policial na Capital: assaltos a restaurantes, dois em menos de 24 horas.
Volta e meia saudamos as inversões de empresas de nacionais e estrangeiras no Paraná Competitivo, mas não pudemos impedir que a multinacional brazuca, a do Grupo Gerdau, fechasse a unidade da antiga Guaíra que absorvera na capital e reduzisse significativamente a da existente em Araucária. De repente, boa parte dos R$ 30 bilhões acertados nos protocolos de intenções podem sofrer atrasos e até revisões. É o poder de expansão da recessão técnica.
A pesquisa de origem-destino, feita pelo governo estadual, melhora sua posição em relação à Urbs no subsídio do sistema de transporte coletivo e isso estava sendo tratado ontem entre os interessados municipal e estadual. Como a Justiça mandou a municipalidade liberar o repasse às empresas, agora a Cavo, que lida com o lixo, segue igual caminho por estar com seus pagamentos em atraso.
O Paraná com presença cada vez mais forte na Lava Jato: agora é a vez do João Vacari Neto, tesoureiro do PT, regra três do Delúbio, este na CPMI. Acusadores como Paulo Roberto Costa e Youssef são da terra como também o julgador Sergio Moro, maringaense como o ganhador do Jaboti pela terceira vez com 1.891, o jornalista e escritor Laurentino Gomes.





