Critérios seletivos
A postura de Beto Richa em torno da acusação que sofreu, quando prefeito e que o STJ deu andamento, é correta ao abrir, ele próprio (poderia fazê-lo?) o sigilo e detalhou o teor da ação para isentar-se de qualquer responsabilidade e o apuro de responsabilidades dos funcionários ordenadores da despesa bem como a documentação da devolução dos recursos ao Ministério da Saúde inclusive com correção monetária e arquivamento da demanda.
Bem: se sua defesa está assim tão bem concatenada e inquestionável por que depender ainda da tal autorização do Legislativo para que o processo seguisse seu fluxo? É verdade que existe em direito um fator depurativo nas demandas em geral chamado economia processual. Seria válido não houvesse a mediação da OAB para retirar a condicionante da licença legislativa.
Saiu-se bem, mas não é a regra de sempre. O caso tatuagem do seu governo é o do super protegido secretário Ezequias Moreira, aquele que usava a própria sogra, como fantasma no Legislativo, para nutrir sua conta bancária. Blindagem extrema foi estabelecida para evitar o julgamento na primeira instância ao atribuir-lhe função secretarial que o coloca sob foro privilegiado.
É verdade que o infrator devolveu a grana indevidamente recebida e com devida correção monetária, todavia isso não elide o fluxo processual. No caso em que se defendeu na prefeitura, que administrava, foi com toda a firmeza em cima do funcionário ordenador da despesa, o que também não se viu no episódio do ágil assessor de ontem e de hoje.
Pega mal nesse caso clássico de "Segredo de Polichinelo" a bronca da base situacionista contra o deputado Tadeu Veneri, no rigor do seu papel, por ter vazado informes da Comissão de Constituição e Justiça à imprensa, o que levou os mais radicais da subserviência em cogitar de uma representação ética de decoro parlamentar. Ora uma assembleia que consagrou a patetice, e isso com apoio em outras instituições, de isolar as comissões executivas da Casa nos processos dos diários secretos e da operação gafanhoto como se fosse crível que um executivo funcional, Abib Miguel, o Bibinho, tudo fizesse sem a assinatura e o olhar da Mesa legislativa não tem forma e nem conteúdo para tratar de questões deontológicas.

Emprego
O modelo econômico do governo federal foi pro saco, mas alguns fatores, que ainda o sustentam como o nível de emprego, mantem sob algum controle o quadro de recessão técnica agravado pela inflação e a questão cambial. O IBGE anotou que em outubro a taxa de desemprego de 4.7 era menor do que os 4.9 do mês anterior. E bem mais distante de outubro de 2013 que estava em 5.2. Pelo menos não desandou, mas outros fundamentos como o do ativismo consumista agora está severamente prejudicado pela depressão no crédito e o endividamento familiar.

Mais suspense
Esboça-se uma orquestração na defesa dos apanhados na Lava Jato: a de que os beneficiários da "delação premiada" Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef teriam jogado as empresas na parede na base do dá ou desce. Negam o cartel, como sempre, embora evidências até aqui observadas como a da hidrelétrica de Segredo (CR Almeida ficou em quarto e último teve a adjudicação da obra em seu favor pela Justiça Federal na licitação no desvio do rio Iguaçu e prejudicados não chiaram e depois o governo Alvaro Dias montou o seu consórcio para tocar a segunda parte) e casos como o da ferrovia Norte-Sul e mesmo o racha do pedágio sob Lerner. Teremos mais suspense com o depoimento de Fernando Soares (Baiano) tido como lobista do PMDB marcado para amanhã.

Deselegante
No mínimo deselegante, a ideia do deputado Valdir Rossoni de enviar mensagem à presidente Dilma Rousseff para nomear Sergio Moro ao STF. Parece coisa de dirigente de diretório estudantil. O caso gafanhoto, em suas mãos, deixaria deputados no mesmo transe dos executivos das empreiteiras.

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