"Todos esses episódios mostram que o simples funcionamento das instituições é superior a qualquer conspirata"





O terceiro turno
Não houve terceiro turno na eleição de Collor, mas ele caiu. Na de Getúlio tivemos uma oposição vitaminada pelo liberal-cosmopolitismo, sem terceiro turno e numa campanha de todos os jornais (a exceção era o "Última Hora" e causa do reboliço porque o Banco do Brasil o financiara através da Erika) e cujo cerco iria render o atentado pela guarda pessoal do presidente a Carlos Lacerda e a morte do major Rubens Vaz na rua Toneleros, a instalação do IPM da República do Galeão e tudo encerrado com o suicídio de Vargas que derrotou seus adversários e garantiu a vitória de Juscelino Kubitschek, seu aliado.
A eleição presidencial, a primeira nos estertores do golpe, também não teve terceiro turno (políticos ligados ao regime militar garantiram sua vitória por não aceitarem Maluf que vencera o coronel Andreazza na convenção do PDS ao montarem a dissidência que gerou o PFL) mas o presidente escolhido, Tancredo Neves, adoeceu e morreu.
Não há terceiro turno na reeleição de Dilma Rousseff como sugeriu o ministro da Justiça ironizando o festerê da oposição em cima do Petrolão, o que é normal já que coloca mal o governo. Todos esses episódios mostram que o simples funcionamento das instituições é superior a qualquer conspirata: é claro que as denúncias de agora perto das que derrubaram Collor figurariam como ato de menor infrator, nada além disso. A tragédia de Getúlio se deu num cenário de resistência a um movimento internacional pela livre empresa "free enterprise" para conter o ímpeto nacionalista com a criação da Petrobras e da Eletrobras, razões portanto de caráter geopolítico e animando o xadrez da Guerra Fria. A de Jânio Quadros, também ideológica, mostrou que sua renúncia visava um retorno teatral nos braços do povo e quem tentava mudar a ordem era ele próprio e com lances internacionais arrojados como a condecoração do Che Guevara diante do qual o namoro com Cuba, Bolívia, Equador e Venezuela do atual governo é uma anedota por seu pouco significado simbólico e logístico.
Simplesmente a vida continuou fluindo e as circunstâncias ditaram as mudanças se é que as tivemos.

Metropolização
Nada se poderia saber sem a pesquisa de origem-destino agora encerrada e seus resultados indicam que 31,2% dos deslocamentos dos coletivos são para a Região Metropolitana quando se acreditava que esse fluxo era de apenas 21%. Outra coisa: a tarifa técnica da Capital é de R$ 2,93 e a da Gran Curitiba é de R$ 4,07. Isso leva a uma repactuação dos acordos entre a Capital e governo estadual.

A vice
Um relatório do Tribunal de Contas foi entregue à futura vice Cida Borghetti a evidenciar um diagnóstico enfatizando educação, saúde e previdência, embora o problema maior seja o da quebra do modelo fiscal. E aí era o ponto ideal para o exercício da doutrina: que saudades do Honório Viale e do Raul Viana.

Dona Flora
A eterna primeira dama, Flora Camargo Munhoz da Rocha, aos 103 anos, nos deixou. Inspiração da maior cuca que tivemos na política, o seu marido, Bento, ambos são expressão de algo distante com a pobreza do cenário atual.

IPTU
Há dez anos não se mexe no mapa de valores imobiliários em Curitiba e ontem Eleanor Fruet, secretária da Fazenda, deu a dica: IPTU da Capital sobe 6,39% o IPCA mais 5% para área com edificação e 8% em edificação. Latifundiários urbanos vão chiar. Urge cobrar IPTU progressivo de prédios abandonados.

Folclore

Um recorde em Curitiba: uma pessoa teria ficado doze dias na UPA, Unidade de Pronto Atendimento, e ainda ontem não haviam encontrado forma de atendê-la. Houvesse serviço funerário para tais casos ao menos aparentaria uma política de relações públicas para o setor. O humor é negro, mas bem intencionado.
A notícia ainda não foi confirmada, mas caso o seja "o furo é nosso" como dizia o repórter da Rádio Cultura no meio da guerra do pente.

mockup