LUIZ GERALDO MAZZA
Quadros em destaque
Já disse que o Paraná perdeu a timidez há bastante tempo: vide aqui as ações do doleiro Youssef desde a CC5-Banestado do governo Lerner, uma espécie em linguagem de balé do canto do cisne da casa bancária estatal e agora no andar das investigações do Petrolão a sequência de nomes da terra como Paulo Roberto Costa, José Janene e tantos outros. O último depoimento do doleiro mostra que sua relação com Janene vinha desde o mensalão, razão pela qual é visto como o prólogo da situação atual na Petrobras, cujo epílogo não dá ainda para imaginar, depois das prisões de anteontem.
No caso do mensalão tivemos gente nossa em destaque nos dois lados no processo deflagrado por um procurador da República ligado ao Paraná, Antonio Fernando de Souza, e que teve nos deputados Omar Serraglio, relator, e Gustavo Fruet, destaques de primeira linha na CPI instalada. E agora, como se deu na CC5, o juiz federal Sérgio Moro, que está no comando judicial da Salva Jato e que se espera dê um banho lustral na nossa maior empresa.
Já tivemos, no passado, por força da política e de suas deformações, a campanha contra Moisés Lupion, um homem que entrou rico na política (fábrica de papel, companhia de navegação internacional, mais de 20 cartas patentes de bancos, fazendas e ainda por cima o Castelo do Batel e veículos de comunicação como os jornais O Dia, ações na Gazeta e Rádio Guairacá) e que dela saiu pobre. Obviamente cometeu imprecisões como a de abrir áreas da fronteira à colonização quando careceria de licença do Senado por serem do Patrimônio da União e isso acabou gerando tensões entre empresas e posseiros que teriam seu ponto alto em 1957 nas "guerrilhas" do Oeste-Sudoeste .
O que falta
O que falta no governo é um protagonista como o foram Bento Munhoz da Rocha, Ney Braga e tantos outros marcado por obras e não apenas pela força eleitoral, como se dá com Beto Richa. Pelo seu feito eleitoral, embora a gestão fraca, tem parte na consagradora votação de Aécio Neves e no encolhimento da oposição local especialmente o PT e por isso mesmo se credencia a ter um papel mais proeminente tanto na política quanto na administração. Do mérito até aqui consolidado nada supera a abertura da economia paranaense a investimentos, cujos protocolos de intenções já ultrapassam os R$ 30 bilhões.
Em termos de obras há poucos créditos como a hidrelétrica de Mauá e o pacto das rodovias pedagiadas, este ainda cercado de suspeitas. Não se tem, pois, o havido em governos desenvolvimentistas como os de Ney, Paulo Pimentel, Canet Júnior quando o volume de feitos era de tal ordem que dava muito mais moral ao Paraná reclamar de falta de reciprocidade por parte da União.
Como recuperar
Governos paranaenses de Lerner para cá perderam as rotinas. Lerner ainda lançou idéias-força como a das montadoras, vilas rurais, rurbanas e rompeu com a condicionante do Paraná como economia de complementaridade à de São Paulo. Perdemos, no entanto, a capacidade de planejar a médio e longo prazos, uma das nossas carências na hora de dialogar com o governo federal. Não é impossível restabelecer o clima de permanente estudo e reflexão de nossa realidade e remontar as unidades de planejamento nas várias pastas que quantas mais apenas confundem e se dispersam nos paralelismos e superposições. Essa lipoaspiração no governo é indispensável, prioridade máxima, se percebermos que afundamos um modelo de gestão financeira, articulado entre Fazenda e Planejamento, e que nos assegurava bases sólidas para as inovações.
Recuperado o equilíbrio fiscal, a curto prazo impossível, poderemos voltar à rotina. Não é crível que o governador desconheça o que ocorre nas secretarias ou organismos como a Defensoria Pública e exponha um clamor e uma indignação tardias tentando recuperar-se no "faturamento" político de sua omissão. Isso tem que mudar e drasticamente.





