Hauly reage com um radicalismo que não teve, em momento algum, com seu caso pessoal na área financeira. Aplica-se ao caso a ironia de o roto rir do remendado





Convergência irônica

O deputado federal Luiz Carlos Hauly está pedindo a deposição da presidente Dilma Rousseff por causa da crise fiscal e dos rescaldos petrolíferos. Ao que se saiba até agora nada se pode dizer da interferência governamental em prejuízo aos esclarecimentos do petrolão. E a intervenção do Ministério da Justiça no caso de delegados que usaram as redes sociais para criar dificuldades políticas ao governo está estritamente calcada em exame deontológico, comportamento ético, e que de certa forma foi violado com os comentários já que se exige de funcionários públicos um mínimo de discrição e austeridade e, sobretudo, de distanciamento e imparcialidade.

Assim, portanto, o deputado paranaense, responsável em parte pela ruptura do modelo fazendário da terra, pois foi quem mais tempo permaneceu na área, está de forma indireta sugerindo que se peça a deposição do governador Beto Richa pela quebra fiscal e, mais ainda, pelo fato de a Secretaria de Segurança ter perdido o prazo de prisão temporária para os sete PMs acusados de integrarem quadrilha de ataque a caixas eletrônicos e que foram liberados ontem. Em matéria de desídia funcional é algo impensável, por ser inaceitável tamanho descuido em cima de uma operação que desafiava o sistema e o desmoralizava e persistirá, por certo, afetando a imagem da instituição.

Trata-se, portanto, de uma projeção de culpa se colocarmos sob juízo a nossa crise fiscal tão parecida quanto à da União como se viu no recente pedido de clemência ao Tribunal de Contas para que não seja tão agudo quanto é no juízo das contabilidades municipais.

Se há uma área em que as ações estaduais e a federal convergem é justamente essa, aliás várias vezes levantada pela União na questão dos empréstimos pela Secretaria do Tesouro Nacional por infração à Lei de Responsabilidade Fiscal no excesso de gastos com pessoal e reduzidos nos de saúde. Agora para não confessar a quebra o governo federal busca a maquiagem dos dados em negociação com o Congresso Nacional e Luiz Carlos Hauly reage com um radicalismo que não teve, em momento algum, com seu caso pessoal na área financeira, como se nada tivesse a ver com o problema e pudesse falar em nome da austeridade. Aplica-se ao caso a ironia de o roto rir do remendado.


Prisões em massa

De uma coisa Curitiba pode se orgulhar: nunca, em sua história, teve tantos colarinhos brancos na cadeia, especialmente a partir das prisões em cinco Estados e Distrito Federal de executivos das empreiteiras gigantes do país a partir de ontem como decorrência da Laja Jato. Enquanto a área federal dava esse exemplo marcante, a daqui, num dos maiores vexames, se via obrigada a soltar os sete PMS acusados de estarem ligados à quadrilha que explode caixas eletrônicos por ter vencido o prazo da prisão temporária.
Como dizia Hamlet, o príncipe atormentado de Elsinor, parece haver método demais nessa loucura.

Direito autoral
O jogo dos egos é comum na área política e administrativa: o ex-secretário Cid Vasques, de Segurança, está cobrando "direitos autorais" pela celebração por seu sucessor, Leon Grupemacher, da queda estatística dos crimes no Paraná de 2012 para 2013. Na verdade governo é continuidade e todos estão no mesmo barco, quer para a glória ou a eventual derrota. E não adianta festejar se o barco tende a afundar ou, no mínimo, precisa ser calafetado, antes que estourem o seu caixa eletrônico bancário.

Crise
Abrandou ontem a crise no Hospital Evangélico da Capital, mas o Pronto Socorro persistia fechado e com falta de remédios. 70% dos salários foram pagos ontem e o restante sai na segunda-feira. Persiste na UTI como todo sistema de saúde nacional.

Folclore
Uma lei impede que escolas de samba sejam promovidas por cervejarias. Num carnaval antigo "Embaixadores da Alegria", dr Cadilhe à frente, desfilava com os componentes fantasiados de pinguim da Antárctica.

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