LUIZ GERALDO MAZZA
"O Centro Cívico virou um muro de lamentações, caixa de ressonância da crise que já não dá para esconder, apesar do aquário multicor dos governos"
"Melar" é possível?
Com a abertura hoje existente nas redes sociais não será de surpreender que se pretenda, se possível, "melar" a Operação Lava Jato. É claro que quando a própria CPMI tenta convocar personagens, que sabe que ficarão calados, busca criar curtos circuitos para amaciar a seriedade das apurações no intento de favorecer os acusados, cada vez mais acuados com o volume das denúncias e a respectiva contundência.
O que já foi revelado dá bem a medida extrema do que ainda há de desconhecido e como se não bastassem tais apurações temos ainda intervenções como as do Tribunal de Contas da União e agora também as da Controladoria Geral da União no apuro das relações entre seis funcionários e ex-empregados da Petrobras e a SBM, fornecedora de plataformas móveis na base da propina. Curioso é que na Holanda, sede da empresa, ela aceitou com o Ministério Público um acordo de US$ 240 milhões por irregularidades em três países, dentre eles o Brasil.
Daí a necessidade da cautela extrema das autoridades no manejo das inquirições e no pertinente às divulgações para que não se dê motivo, por precipitação, a pleitos de nulidade processual. Como o tema aparece com força nas redes sociais, sujeito aí aos transbordamentos passionais, e que obrigou, como se deu ontem, a intervenção do Ministério Público Federal em defesa da limpidez do inquérito e das insinuações de exploração política.
Essa nova realidade, gerada pelo compartilhamento das redes sociais e com o juízo de valor no nível das torcidas de futebol, reclama tais cuidados já que não são desprezíveis as articulações dos interessados em desconstruí-las e isso na base da compulsão.
Para um certo tipo de agente o maior feito está nas ações externas como as já anunciadas em vários países sobre o petrolão e a disposição do Ministério da Justiça dos Estados Unidos da América do Norte em apurar os mal feitos da Petrobras e sua influência no mercado acionário conforme as leis do país.
13º
No olho do furacão da economia brasileira, São Paulo, um em cada três empresários, não fez reserva financeira para o 13º e muitos vão depender de financiamento bancário. Tudo decorre do nível de atividade econômica, muito afetado, e que responde no Paraná pelo mais baixo índice de emprego no setor industrial. Todas as estimativas, em função desses acidentes de percurso, levam a necessidade de uma revisão do cálculos nas vendas de Natal e fim de ano com tendência forte de queda. O pessimismo é contagiante.
Também os governos estadual e municipal de Curitiba não tiveram como fazer no Tesouro a reserva duodecimal, a última ocorrida no governo Requião na gestão fazendária de Heron Arzua. O sufoco, tal qual se vê no chio de fornecedores e prestadores de serviço, é de tal natureza que torna impossível a antecipação mês a mês.
Prensa
De um lado a crise no Evangélico de Curitiba, cujos 80% de procedimentos são do Sistema Único de Saúde, com falta de pagamento de funcionários a acentuar a crise do setor; de outro os integrantes do Movimento em Defesa do Transporte Público que hoje vão à Boca Maldita protestar contra o último reajuste das tarifas dos coletivos. Como se não bastassem representantes da área cultural se queixaram ontem para Gustavo Fruet dos 1% apenas do orçamento da área.
O Centro Cívico virou um muro de lamentações, caixa de ressonância da crise que já não dá para esconder, apesar do aquário multicor dos governos.
Folclore
Há sinais de entendimentos entre a prefeitura de Curitiba e governo estadual que vão além da integração das linhas do transporte metropolitano e na questão do lixo (a ideia do consórcio não está abandonada, ainda que sujeita a atritos como nas licitações anteriores) para um entendimento comum no aproveitamento da exploração de esgotos com gás e fertilizantes.





