O dedo duro
Estamos vivendo um momento de exaltação do dedo duro que em função do ocorrido em 1964 era abominado pela maioria e hoje elevado à virtuosidade ante a evidência de que não deixa de haver civismo no esforço desesperado para clarear coisas que ficariam condenadas, pela tradição, ao esquecimento. Claro que o instituto da "delação premiada", que tanta serventia teve no andamento do "Mãos Limpas" da Itália, surpreende pela eficácia ainda que acabe por transformar advogados criminalistas em meras testemunhas dos atrapalhados clientes.
Pelo corte epistemológico que faz nos procedimentos criminais é rejeitada, por princípio, pelos advogados clássicos, mas não há como negar sua eficácia no andamento das investigações. A palavra do delator é ungida com a força de um documento e por ser testemunhal não pode, como faziam criminalistas, ser olhada, criticamente, como a "prostituta" das provas.
E ela, pelo jeito, veio para ficar e até algumas empresas que se envolveram no chuncho já a acataram, embora a maioria delas relute, não se dispondo a aceitar como "crime" algo que, infelizmente, é decorrente das nossas praxes sombrias no campo administrativo e preferem uma espécie de termo de ajuste de conduta com o Ministério Público dispondo-se a pagar multas bilionárias.
O fato é que pela vez primeira vemos no Brasil as grandes corporações acuadas por causa do abuso que cometem na sociedade sombria que tem com o chamado setor público. A comparação com esse tipo de dedo duro com os de 1964, que partiam de áreas difusas da sociedade, entorpecidas pelo fanatismo da Guerra Fria e da batalha final contra a subversão, não é apropriada até porque o que se obtém hoje pela "delação premiada" tentava-se, ao desespero, resolver por variadas formas de constrangimento da consciência, inclusive a tortura.

Um feito
A revelação do 8º Anuário Brasileira de Segurança Pública de que o número de assassinatos no Paraná caiu 21,3% de 2012 para 2013: queda de 3.135 para 2.572. Ficamos apenas, no ranking, atrás do Amazonas com queda de 21,4% nas ocorrências. Não é, pelo nosso dia a dia, a sensação que desfrutamos. A Vila das Torres está aí para nos levar ao pavor.

Pressão
Pressionar é viver: funcionários das 14 agências do HSBC esperavam ontem algum resultado da audiência com o patronato e o Ministério Público do Trabalho para ter sossego no fim do ano, já que se imaginam como carta fora do baralho. E a Frente de Luta Pelo Transporte Coletivo desencadeia nesses dias a resistência ao último reajuste de tarifas e programa algum ato público para amanhã.

Cuca fresca
Beto Richa a fazer um surf num transatlântico de luxo, a imagem está em vários blogs e lembra um pouco aquela sacanagem que armaram contra Lerner no casamento da filha em Nova York documentado em vídeo. O PMDB o usou à exaustão em programas eleitorais. Os maldosos insinuam que o Ezequias Moreira estaria por lá pronto para qualquer escorregada do governador nas práticas esportivas com um tubo de anestésico à mão. Não há escorregada maior do que a do secretário do Cerimonial, aquela da drenagem da grana da sogra fantasma para a sua conta em vasos comunicantes, algo que é tatuagem no governo.
É bem possível que no caso de Lerner como no de Beto Richa pode ter sido obra de algum amigo do peito a divertida e exuberante fotografia.

Folclore
Como a chuva, mesmo intensa, não melhora a estiagem em São Paulo o há de impostos a recolher não salvam nem a União, governos estaduais e municipais da crise que enfrentam com a recessão e a baixa resposta da economia.

A grito
Estão matando cachorro a grito: uma quadrilha de empresários de Cascavel, desbaratada pelo Gaeco, se especializou em assaltar sacoleiros.

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